Ibaneis Rocha, Corinthians, Congresso…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Bolsonarismo em curto-circuito, Governo tentando salvar tarifa social e Hugo Motta fugindo da fama de “presidente da Câmara de papelão”
No teatro de sombras do Congresso, a MP 1.300/2025 tenta andar — ou pelo menos não ser empurrada para o abismo — enquanto a base bolsonarista faz seus tradicionais motins parlamentares, daqueles que misturam bíblia, fuzil imaginário e discursos sobre “liberdade” que dariam inveja a um dicionário de eufemismos. A proposta cria a nova tarifa social de energia, que, se aprovada como está, deve aliviar a conta de luz de cerca de 60 milhões de brasileiros, um gesto quase suspeito de altruísmo político às vésperas de 2026. Mas a oposição, movida pela energia escura do clã Bolsonaro, ameaça desfigurar o texto — afinal, nada como sabotar um benefício popular para marcar posição ideológica. O Governo já cogita fundir a MP com outra, a 1.304/2025, para agradar Hugo Motta, presidente da Câmara que tenta provar que não virou um “morto-vivo” desde o último motim. É o típico jogo de bastidores: todos defendem a tarifa social em público, mas ninguém quer deixar o outro colher o crédito. E, claro, se o prazo expira em 17 de setembro, isso significa que ainda teremos um mês inteiro de chantagens, manobras e discursos inflamados seguidos de cafezinhos amistosos no cafezinho.
Ibaneis Rocha, o governador que dormiu enquanto Brasília pegava fogo, agora sonha com uma vaga no Senado
Segundo análise de Bernardo Mello Franco, o dia 8 de janeiro de 2023 foi uma aula prática de “como não ser governador em situação de crise”. Enquanto bolsonaristas invadiam, depredavam e urinavam metaforicamente (e não só metaforicamente) nos Três Poderes, Ibaneis Rocha estava… dormindo. Não atendeu telefonemas, ignorou alertas e rejeitou ajuda da Força Nacional. A cena lembra um gerente de loja que, ao saber que clientes estão quebrando vitrines, decide tirar um cochilo para “pensar melhor”. Mais tarde, justificou-se a um amigo dizendo que estava tirando “uma soneca”, termo técnico usado, aparentemente, para abandono de função em momento de caos institucional. Agora, como manda a lógica política brasileira, Ibaneis mira o Senado — afinal, por aqui, não há melhor currículo para a política do que falhar retumbantemente em um cargo anterior. Se o eleitorado do DF topar, poderemos ter no Parlamento um senador cuja mais célebre ação foi roncar em Dolby Surround enquanto a democracia levava porrada na rua.

Katy Perry, dunas protegidas, “aprovação verbal” e uma multa de 6 mil euros que custará mais do que o figurino do clipe
A cantora Katy Perry foi multada por filmar o videoclipe de Lifetimes em área protegida nas Ilhas Baleares sem a devida permissão — um detalhe burocrático que, aparentemente, foi substituído por algo chamado “aprovação verbal”. A Capitol Records garante que tinha aval para a filmagem; as autoridades espanholas garantem que não. Traduzindo: foi um “disse-me-disse” internacional envolvendo dunas, fauna, flora e popstar de topete impecável. O Parque Natural de Ses Salines, protegido há décadas, não é exatamente o quintal de casa onde se monta tripé à vontade, mas a produtora achou que valia tentar. Resultado: multa de 6 mil euros (cerca de R$ 37 mil), valor irrisório para a indústria fonográfica, mas suficiente para dar uma boa manchete. Moral da história: nem sempre “pode deixar, tá liberado” significa que está, de fato, liberado — especialmente quando dito por alguém que não manda em nada além do próprio WhatsApp.
13 de agosto de 1961: quando a Alemanha resolveu erguer o Muro de Berlim e provou que a Guerra Fria também era obra de pedreiro
Há 64 anos, a Alemanha Oriental fechava a fronteira com a Alemanha Ocidental e começava a erguer o Muro de Berlim — aquele monumento ao medo, à desconfiança e à engenharia civil a serviço da geopolítica. Oficialmente, o muro era para “proteger o socialismo” de infiltrações capitalistas; na prática, era para impedir que cidadãos fizessem turismo sem volta no lado ocidental. O resultado foi uma cidade partida, famílias separadas e um símbolo global da estupidez estratégica. Entre tentativas de fuga dignas de filmes de ação e a vigilância paranoica da Stasi, o muro durou até 1989, quando caiu ao som de martelos, marretas e rock pop de emissoras ocidentais. A lição é simples e perene: muros caem, regimes mudam, e a História adora constrangimentos cinematográficos.
Corinthians na lista negra da Fifa, dívidas milionárias e a síndrome do “contrato parcelado que nunca chega na última prestação”
O Timão está proibido de registrar novos jogadores por conta de uma dívida de 6,1 milhões de euros com o Santos Laguna, referente à compra do zagueiro Félix Torres. É a segunda vez em menos de um ano que o clube leva um transfer ban, desta vez por não pagar parcelas acordadas. O roteiro é o mesmo: entrada paga, parcelas esquecidas, cobrança, punição. A Fifa atendeu ao clube mexicano, e a decisão é imediata. Pior: há mais dois casos pendentes — Matías Rojas e Rodrigo Garro — que podem render uma conta extra de R$ 60 milhões. No papel, o Corinthians deveria ser uma potência continental; na planilha, parece um consumidor endividado que faz carnê de sofá e deixa de pagar na segunda prestação. A torcida, que já acostumou a lidar com dramas dentro de campo, agora também acompanha um reality show financeiro digno de série documental.

Inflação nos EUA: tarifas de Trump começam a morder, empresas repassam custos e o consumidor já sente o gosto amargo
Os dados de julho mostram que a inflação americana, puxada por tarifas de importação, está começando a incomodar mais do que piada sem graça em comício. O CPI anualizado ficou em 2,7%, mas o núcleo do índice subiu 3,1% em 12 meses, o maior ritmo desde fevereiro. Desde abril, Donald Trump impôs uma tarifa universal de 10% sobre importações, além de aumentos específicos para aço, alumínio e produtos da China e Canadá. No início, empresas seguraram preços estocando produtos ou absorvendo custos; agora, esse fôlego acabou e os repasses chegaram. Móveis, eletrodomésticos e calçados ficaram mais caros, enquanto carros novos e usados resistem por pouco tempo. O mercado de trabalho também desacelera, com criação de apenas 73 mil vagas em julho. Em resumo: o eleitor americano vai às compras e descobre que a política comercial virou um imposto indireto, daqueles que ninguém admite, mas todo mundo paga.
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dezembro 30, 2025
Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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