ICMS, Mao Tsé-Tung, SUS…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Michelle Bolsonaro e o dilema shakespeariano: ser primeira-dama ou presidenta, eis a questão
A pesquisa do instituto Gerp joga gasolina no playground da política brasileira: Michelle Bolsonaro, a mulher que já foi acusada de ser “apenas coadjuvante”, aparece agora como protagonista capaz de bater Lula num hipotético segundo turno. Quase meio país diz que votaria nela, enquanto o presidente, cada vez mais gasto e com reprovação em alta, amarga um 37% que nem no Ibope dos anos 90 soaria bonito. O problema? Jair, o marido, que trata a cadeira do Planalto como o sofá da sala: ninguém senta sem a permissão do dono. A solução doméstica encontrada é simples — Michelle deve mirar o Senado, onde pode brilhar sem tirar o protagonismo do esposo, ainda que sua cabeça insista em sonhar com a faixa presidencial. Para completar o roteiro, ela articula com Celina Leão, tentando montar um xadrez feminino que pode redefinir o mapa eleitoral de 2026. Quem diria: o “mito” anda perdendo espaço para a “mita”. E Lula? Vai se tornando aquele veterano que, no teatro, entra em cena apenas para ouvir aplausos protocolados.
Mao Tsé-Tung: o homem que morreu, mas cujo fantasma ainda manda no cardápio do Partido Comunista
No dia 9 de outubro de 1976, Mao Tsé-Tung finalmente entregou a foice, deixando um legado que mistura culto religioso, revolução sangrenta e frases feitas em livros vermelhos que viraram souvenir para turistas em Pequim. O camarada Mao foi o arquiteto de uma das maiores revoluções sociais do planeta, mas também o engenheiro de uma tragédia humanitária que matou milhões com planos econômicos que fariam até um estagiário de Excel corar. Quase meio século depois, o homem continua vivo em retratos que encaram Pequim como se fossem câmeras de segurança ideológica. Na prática, ele morreu, mas o Partido ainda age como se recebesse SMS dele todas as manhãs com instruções. A ironia é que a China de hoje é mais capitalista que Wall Street, mas ainda ergue brindes ao pai do comunismo chinês. Mao talvez risse: afinal, ninguém mandou tão bem em transformar ideologia em grife quanto ele. Camisetas de Che? Pff. Mao é o verdadeiro “influencer” pós-morte.

Brasil, o país do veneno: quando cada duas horas alguém descobre que a vida tem gosto de chumbinho
Os números da Abramede trazem aquele retrato deprimente e ácido do Brasil profundo: entre 2009 e 2024, mais de 45 mil atendimentos por envenenamento precisaram de internação na rede pública. É como se o país tivesse trocado café e cachaça por substâncias que fazem a emergência virar farmácia clandestina. Entre os casos, 3.461 foram envenenamentos intencionais por terceiros, prova de que no Brasil a maldade gosta de ser criativa. Uma média de 12,6 casos por dia: a cada duas horas, um brasileiro chega ao hospital intoxicado. Não se trata apenas de acidentes: há também vinganças, paixões frustradas e aquela herança mal resolvida que acaba na sobremesa temperada com veneno. O SUS aguenta como pode, enquanto a fiscalização inexiste e a impunidade ri com taças de arsênico. No fim, o veneno é tão democrático que vai do quintal rural à metrópole sofisticada. O Brasil, sempre ele, transformou até o enredo de novela mexicana em estatística oficial.
Gilmar Mendes, o iluminista digital: entre tweets filosóficos e a toga que nunca sai de moda
No 7 de setembro, enquanto a direita gritava nas ruas por anistia a Bolsonaro e companhia, Gilmar Mendes resolveu dar aula de filosofia constitucional pelo Twitter — ou X, como queiram os viciados em Elon Musk. Disse que não existe “ditadura da toga” no Brasil, que a liberdade nasce do fortalecimento das instituições e que o STF é o guardião da Constituição. Tudo isso, claro, embalado num tom de quem acredita estar salvando a República de bárbaros munidos de megafone e faixa verde-amarela. Mendes ainda cutucou Bolsonaro sem dizer o nome, lembrando das críticas ao sistema eleitoral. Ironia maior: a cada defesa do STF nas redes, cresce o número de memes o acusando de viver em “ilha togada”. O contraste é delicioso: de um lado, multidões pedindo o impeachment de Alexandre de Moraes; de outro, ministros com ar de seminaristas citando Montesquieu para justificar a toga. No fim, Gilmar fez o que sempre faz: transformou crise em performance e crítica em autopromoção.
STF, Bolsonaro e o “Punhal Verde e Amarelo”: roteiro de Netflix que virou processo criminal
A Primeira Turma do STF retoma hoje o julgamento do que já poderia ser vendido como série de streaming: o “núcleo 1” da trama golpista, estrelado por Jair Bolsonaro e sete fiéis escudeiros. A acusação é digna de thriller político: planos de sequestro e assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, além da famigerada “minuta do golpe”, esse documento meio fanfic, meio decreto que tentaria instaurar estado de sítio no país. A Procuradoria-Geral quer condenações que podem passar de 30 anos, enquanto as defesas fazem piruetas retóricas para transformar golpe em “exercício criativo”. O julgamento deve durar a semana inteira, ocupando sessões dos dias 9, 10, 11 e 12. No roteiro, não falta nada: vilões caricatos, heróis institucionais e o suspense de um desfecho que mexe com o tabuleiro político. A diferença para a Netflix é que, aqui, não dá para pular os episódios: cada voto é transmitido ao vivo, com direito a comentários raivosos nas redes.
ICMS nos combustíveis: o imposto que sempre volta, mais fiel que cachorro abandonado em estrada
O Confaz anunciou aumento de ICMS para gasolina, diesel e gás de cozinha a partir de janeiro de 2026. A gasolina sobe R$ 0,10, o diesel R$ 0,05 e o gás R$ 1,05 por botijão. É o segundo ano consecutivo de alta, porque, afinal, nada mais permanente no Brasil do que aumento de imposto travestido de “ajuste fiscal”. O Confaz, esse clube de secretários da Fazenda com cara de sindicato gourmet, diz que a medida é necessária para manter as contas públicas dos Estados. Para o consumidor, é mais um lembrete de que o carro é luxo e o botijão é item de colecionador. Os governadores aplaudem em silêncio, enquanto a classe média xinga no posto e o pobre suspira na fila do gás. É o ciclo eterno da tributação brasileira: o contribuinte paga caro, recebe pouco e ainda é culpado pelo desequilíbrio das contas. O ICMS é a prova de que, no Brasil, até a bomba de gasolina é uma máquina de arrecadar tristeza.

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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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