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Iggy Azalea, energia, Trump…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Iggy Azalea troca microfone por criptomoeda e OnlyFans: aposentadoria precoce ou só mais um remix de marketing pessoal?

Iggy Azalea resolveu parar de rimar para investir no lucrativo hobby da economia paralela. Com pouco mais de 14 anos de carreira, anunciou aposentadoria, mas na prática não se aposentou de nada: trocou os palcos por telas, beats por tokens e o twerk por uma conta recheada de dólares digitais. A rapper, agora empresária, lançou a $MOTHER — nome que já carrega a ambição de maternidade financeira universal, talvez até uma tentativa de adoção em massa de órfãos do capitalismo tardio. O OnlyFans, claro, entra como a verdadeira caixa registradora da operação, provando que corpos são ativos mais líquidos do que qualquer cripto. O discurso sobre “recuperar o controle” soa bonito, mas é tão velho quanto qualquer panfleto de autoajuda de aeroporto. Fato é: Iggy virou aquilo que sempre denunciou em seus versos — uma CEO de si mesma, explorando sua própria imagem como commodity. Antes vendia CDs, agora vende tokens. Antes lançava músicas, agora lança nudes com “roadmap”. Aposentadoria? Talvez seja apenas mais uma turnê com figurino digital.

Iggy Azalea resolveu parar de rimar para investir numa economia paralela (Foto: Wiki)
Iggy Azalea resolveu parar de rimar para investir numa economia paralela (Foto: Wiki)

Woody Allen lembra que dirigiu Donald Trump em 1998: política como spin-off de um filme ruim

Woody Allen, em seu eterno papel de narrador neurótico da história americana, lembrou ao mundo que já dirigiu Donald Trump em 1998, quando o magnata interpretou a si mesmo em Celebridades. O detalhe é delicioso: Trump dizia que queria comprar a Catedral de St. Patrick e transformá-la num prédio alto e bonito — spoiler involuntário de sua carreira política, que consistiria em demolir instituições seculares para erguer arranha-céus ideológicos. Allen, com 89 anos, disse que Trump foi “educado e profissional”, o que prova que até os vilões da narrativa sabem se comportar diante das câmeras. A ironia maior? Allen garante que votou em Kamala Harris, mas admite que gostaria de dirigir Trump hoje na Casa Branca. Imagine só: uma comédia existencial filmada na Sala Oval, com diálogos improvisados e tweets no lugar de roteiro. A política americana virou exatamente isso: um spin-off mal iluminado do cinema de Woody Allen, onde os personagens não acreditam no que dizem, mas seguem interpretando papéis de si mesmos.

Leon Czolgosz atira contra William McKinley em 1901: quando a anarquia resolveu entrar na Exposição Panamericana pela porta da frente

Em 6 de setembro de 1901, um anarquista desempregado chamado Leon Czolgosz resolveu atravessar a história com uma pistola escondida sob um lenço. Atirou no presidente William McKinley durante a Exposição Panamericana, em Buffalo, e abriu caminho para o destino glorioso de Theodore Roosevelt, que assumiria o poder. A cena é cinematográfica e deprimente: a feira mundial, símbolo da modernidade elétrica, iluminada pelas invenções de Edison, transformou-se em palco de violência política. McKinley, apóstolo do livre mercado e da expansão imperial, caiu diante de um homem que via na autoridade a raiz de todo mal. Um século depois, seguimos nesse ciclo de desobediência e repressão: presidentes caem, líderes sobem, a história finge que muda. Czolgosz foi executado, mas sua sombra continua rondando: a lembrança de que até as vitrines mais brilhantes do progresso podem esconder um estopim de pólvora. Buffalo entrou para os livros não por sua eletricidade, mas por um tiro. Eis a ironia do destino.

Furto de energia custa R$ 10,3 bilhões: quando o Brasil vira uma extensão do Tio Patinhas, mas sem o cofre

O famoso “gato” elétrico segue firme como símbolo de malandragem nacional e também como bomba-relógio coletiva. Em 2024, o prejuízo bateu R$ 10,3 bilhões, e a conta, como sempre, sobra para quem já paga caro demais. Não se trata apenas de fios clandestinos cruzando postes — é a alegoria perfeita de um país que aprendeu a sobreviver sugando o sistema sem nunca consertá-lo. A Aneel publica relatórios, as concessionárias choram prejuízos, e o cidadão comum liga o ventilador acreditando que o aumento na fatura é culpa do El Niño. Mas a ironia maior é que a clandestinidade elétrica convive com os slogans de “Brasil digital” e “smart cities”. Nada mais contraditório do que sonhar com carros autônomos enquanto milhões se arriscam em gambiarras elétricas. O gato é, afinal, a metáfora elétrica da desigualdade: os ricos têm energia solar e bateria de lítio; os pobres puxam fio do poste. E todos, no fim, acabam pagando pelo mesmo apagão.

Leia ou ouça também:  Carla Zambelli, TV Manchete, Gmail...

Banco Central cria barreiras contra hackers: fintechs ganham diploma de “curso superior em cibersegurança”

O Banco Central decidiu que já deu: hacker não é profissão reconhecida. Depois de ataques coordenados contra bancos e fintechs, a autarquia anunciou regras novas, com exigência de certificação, autorização prévia e limites às transações. O discurso é pomposo, mas no fundo soa como burocracia digitalizada: a tentativa de transformar cada startup financeira numa repartição pública com firewall. Gabriel Galípolo, agora na cadeira de presidente, declarou que não foram adolescentes entediados em porões, mas o crime organizado de terno e gravata que atacou os cofres virtuais. Fato é que o Pix trouxe agilidade, mas também abriu portas para golpistas com mais criatividade do que muitos empreendedores. A ideia de dar um “selo de qualidade” às fintechs parece piada pronta: em breve veremos bancos digitais estampando certificados ISO 9001 em seus aplicativos. A guerra entre criminosos virtuais e burocratas analógicos promete ser longa — e, como sempre, o correntista é quem paga a taxa.

Tesla oferece pacote trilionário a Elon Musk: quando o capitalismo decide canonizar seu próprio santo

Elon Musk está a um passo de se tornar o primeiro trilionário da história, caso consiga multiplicar o valor de mercado da Tesla em oito vezes. O conselho aprovou um pacote de remuneração que faria inveja até ao Vaticano, que nunca canonizou ninguém tão rápido. Para alcançar o prêmio, Musk precisa entregar robôs humanoides, frotas de táxis autônomos e lucros multiplicados por 24. Ou seja: transformar ficção científica em balanço trimestral. Críticos dizem que ele já se distraiu demais com política, redes sociais e foguetes, enquanto a Tesla perde espaço para chineses pragmáticos como a BYD. Mas os fiéis de Musk preferem acreditar no “Master Plan IV”, que promete abundância sustentável e energia solar infinita. A ironia é clara: Musk pode virar o homem mais rico do planeta vendendo promessas mais rápido do que carros. O capitalismo, afinal, adora criar messias que multiplicam ações como pães e peixes — até que um recall global traga todos de volta à realidade.

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Última atualização da matéria foi há 5 meses


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