Kevin Spacey, IR, celular…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Postal Saúde, repasses atrasados, empréstimos bilionários e corredores em combustão: quando o Governo descobre que plano de saúde de estatal pode virar greve antes do café da manhã
A nova gestão dos Correios acordou com aquela missão singela: impedir que 200 mil beneficiários do Postal Saúde descubram que hospitais e médicos não atendem fiado nem para carteirinha azul e amarela de estatal. E, como toda novela brasileira, o drama já bateu na porta do Planalto, que finge surpresa, mas sabe muito bem que greve de Correios tem o poder de parar desde cartas de amor até multas de trânsito. Nos corredores da empresa, a palavra “manifestações” já circula com a leveza de um pombo-correio com enxaqueca. Atrasos nos repasses já duram mais de um ano — porque nada mais moderno do que empurrar dívidas para o próximo exercício fiscal. Enquanto isso, médicos recusam atendimentos, hospitais travam guias e aposentados descobrem a beleza trágica da expressão “procure outro profissional”. Para resolver a lambança, a solução é um empréstimo de R$ 20 bilhões com um pool de bancos, porque no Brasil sempre há um pool para qualquer buraco, desde que seja grande o suficiente. O Governo torce para que o dinheiro chegue antes da combustão política; os Correios torcem para que chegue antes da combustão literal; e o Postal Saúde torce para que alguém ainda aceite seus pacientes. No fim, tudo depende da boa vontade do sistema financeiro, essa entidade mística que decide, com um clique, se a história vira drama ou catástrofe.
Intentona Comunista, 1935, Vargas, quartéis em chamas e fracasso épico: o Brasil lembra o dia em que a revolução prometida virou apenas uma rebelião mal sincronizada
Em 27 de novembro de 1935, o Brasil assistiu ao que deveria ser um levante revolucionário e acabou se tornando uma espécie de ensaio geral mal executado para um filme que nunca foi produzido. A Intentona Comunista, encabeçada pela Aliança Nacional Libertadora, eclodiu no Rio de Janeiro com a confiança de quem achava que tomaria o país no grito, mas encontrou o Governo Vargas com a sutileza de um rolo compressor. O movimento, que pretendia instalar um regime socialista, virou uma coreografia caótica de quartéis rebelados, oficiais confusos e civis atônitos — uma revolução que tropeçou na própria ambição antes mesmo de sair à rua. O Governo, por sua vez, aproveitou o fiasco para inaugurar o que viria a ser um dos capítulos mais pesados do Estado Novo: repressão, propaganda e a narrativa conveniente de que o país estava “sob ataque vermelho”. Internamente, o episódio rendeu prisões, mortes e o pretexto perfeito para reprimir opositores. Externamente, virou aquela lembrança histórica que poucos estudam e quase todos resumem em uma frase preguiçosa: “Deu errado.” Resultado final: a Intentona provou que revoluções mal planejadas terminam antes de começar — e que o Brasil sempre teve talento para transformar tragédias em anedotas de manual escolar.
Kevin Spacey, hotel, Airbnb, manchete torta e crise existencial: Hollywood descobre que ‘sem-teto’ é metáfora até virar trending topic com má pontuação do Telegraph
Kevin Spacey voltou ao noticiário, e não por um spin-off de House of Cards, mas por precisar explicar ao mundo que “não ter casa fixa” não significa “dormir na sarjeta abraçado a dois Oscars e um travesseiro de plumas decadentes”. Depois da entrevista ao The Telegraph, Spacey virou o protagonista involuntário de uma telenovela britânica sobre semântica e desgraça financeira. Ele gravou um vídeo dizendo que, sim, está sem residência fixa, mas não está “literalmente nas ruas” — apenas circulando entre hotéis e Airbnbs como um nômade premium com danos colaterais de reputação. Seus sete anos de batalhas legais engoliram a casa, o patrimônio e, aparentemente, a paciência. Toda a bagunça começou com a manchete suspeitosamente sensacionalista do jornal, que ele acusou de “trair o próprio jornalista” — um comentário que Shakespeare aprovaria. Relembrou as acusações que arrasaram sua carreira e das quais foi absolvido, mas que deixaram sua vida profissional tão fragmentada quanto a última temporada de House of Cards. No meio disso tudo, ainda sobrou tempo para atacar Guy Pearce com a finesse de um tio amargo no Natal: “Cresça, Guy Pearce. Você não é uma vítima.” O vídeo termina com Spacey prestando solidariedade aos que realmente vivem nas ruas, o que sempre soa estranho vindo de alguém que ainda fala em “trabalho sem parar”. Moral da história: em Hollywood, até a crise financeira tem roteiro ambíguo.

Bolsonaro, Nikolas, Moraes e o celular proibido: a telenovela jurídica onde cada visita rende uma denúncia e cada denúncia vira gasolina para o STF
O ministro Alexandre de Moraes decidiu que é hora da defesa de Jair Bolsonaro explicar por que Nikolas Ferreira resolveu usar celular durante a visita ao ex-presidente no dia 21 — justamente quando ele ainda cumpria prisão domiciliar e celulares estavam proibidos até para quem fosse só entregar bolo. O episódio foi registrado pela imprensa e denunciado por Erika Hilton, que enviou ao Supremo uma notícia-crime com a precisão de quem já decorou os trâmites. Moraes ordenou manifestação em 24 horas, porque no universo do STF o tempo não é dinheiro: é disciplina. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por sua participação na trama golpista, em uma sala especial na PF que, paradoxalmente, transformou-se no set fixo do reality-show jurídico da década. Nikolas virou personagem coadjuvante que traz o alívio cômico involuntário, enquanto a defesa do ex-presidente tenta explicar o inexplicável com a retórica elástica de sempre. A cada nova visita, uma nova crise; a cada nova crise, uma nota de Moraes; e a cada nota de Moraes, um capítulo adicional no festival de ironias que virou a política nacional. No fim, tudo isso poderia ser apenas cômico — se não fosse tão grave.
Lula, isenção de IR até R$ 5 mil, agrados eleitorais, Haddad emocionado e ricos pagando mais: quando o Governo converge matemática, política e poesia tributária em uma só cerimônia
Lula sancionou a medida que isenta do Imposto de Renda todos que ganham até R$ 5 mil mensais, transformando promessa de campanha em presente antecipado para 15 milhões de brasileiros. A partir de janeiro de 2026, o país começa a experimentar a rara sensação de pagar menos imposto — enquanto a ala econômica tenta esconder o suor frio que desce pela testa ao fazer contas. Para equilibrar as perdas na arrecadação, o Governo decidiu tributar mais quem ganha acima de R$ 600 mil ao ano, com alíquota máxima de 10%. Não muda nada para quem já pagava isso ou mais, mas dá ao discurso político aquela aparência de justiça distributiva que sempre rende palmas. Haddad, em seu momento quase pastoral, agradeceu Hugo Motta e Davi Alcolumbre, ausentes, mas lembrados como “diligentes”, numa cerimônia que cheirou a harmonia institucional ensaiada. O Planalto vibra com o potencial eleitoral da novidade; a oposição resmunga; os economistas dividem-se entre aplausos tímidos e bocejos desconfiados. No fim, a medida é menos revolução fiscal e mais poesia tributária — bonita no papel, complexa na prática, eficiente no palanque.

Elton John, cegueira parcial, esperança científica e Rock in Rio: o espetáculo continua mesmo quando as luzes se apagam antes do maestro entrar em cena
Elton John revelou estar vivendo um dos períodos mais difíceis de sua vida após perder a visão do olho direito por causa de uma infecção que o deixou praticamente no escuro por mais de um ano. O músico, aos 78 anos, contou à Variety que não pôde ler, assistir ou ver absolutamente nada nesse período — um pesadelo para qualquer um, mas especialmente devastador para quem fez da visão estética uma marca artística. Ainda assim, Elton continua acreditando que a ciência — essa entidade quase divina em sua narrativa — vai lhe devolver parte da visão. Comparou sua trajetória de resiliência à luta contra o HIV/Aids, reforçando a ideia de que esperança é a única banda que nunca sai de turnê. Seu marido, David Furnish, descreveu avanços no olho esquerdo, destacando pesquisas com IA que geram otimismo. Mesmo assim, Elton confirmou presença no Rock in Rio 2026, porque artistas não se aposentam: apenas mudam a intensidade do holofote. No Brasil, promete reencontrar fãs que sempre o trataram como realeza pop. Apesar da gravidade do quadro, seu discurso segue vibrante, quase teatral, provando que Elton John é desses poucos mitos capazes de cantar mesmo quando o palco inteiro some da vista.
Bad Bunny contra ICE no Grammy…
fevereiro 3, 2026Mangione foi salvo pelo gongo judicial…
janeiro 31, 2026RedeTV e a novela da arrelia feminina...
janeiro 20, 2026Bolsonaro está na suíte e reclama...
janeiro 17, 2026Ousadias e polêmicas de Nelson Tanure...
janeiro 15, 2026Globo de Ouro é mais cash e menos arte...
janeiro 13, 2026Falas teocráticas não baixam preço do pão...
janeiro 10, 2026Michael Jackson, o morto mais lucrativo...
janeiro 8, 2026América Latina virou menu degustação...
janeiro 6, 2026Gelsenkirchen é a nova Hollywood...
janeiro 3, 2026Autonomia do BC é um fetiche institucional...
janeiro 1, 2026Drake virou trilha sonora de ceia global...
dezembro 30, 2025
Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




Facebook Comments