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Matthew Perry, Collor, banqueiros…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Patentes vencem, genéricos entram, farmacêuticas choram: o milagre do “desconto” que até o SUS agradece

Imagine um Brasil em que remédios caros deixam de ser artigos de luxo e passam a custar “apenas” o salário de uma semana em vez de um mês inteiro. Pois é: até 2030, vencem 1,4 mil patentes de princípios ativos e processos relacionados a mil medicamentos, quase todos controlados por multinacionais que vendem comprimidos como se fossem joias raras. O resultado? A promessa de um aumento de 20% na oferta de genéricos — aqueles irmãos “menos glamourosos” das pílulas importadas, mas que fazem o mesmo efeito. Os novos concorrentes devem reduzir preços em pelo menos 35%, o que soa como música para o orçamento do SUS e, de quebra, para o bolso das famílias. A indústria farmacêutica já esfrega as mãos: os laboratórios nacionais enxergam um mar de oportunidades para disputar espaço e produzir em escala. A diferença, claro, é que a saúde pública não precisa pagar royalties a executivos que moram em Genebra e discutem se vão de helicóptero ou iate para a próxima reunião. O drama das grandes farmacêuticas é a alegria de quem depende do caixa de farmácia para sobreviver — ou, ao menos, para tentar sobreviver sem vender o carro para comprar insulina.

“Rainha da Cetamina” assume culpa: tragédia em Hollywood vira série judicial com final previsível

Los Angeles nunca decepciona: quando não está exportando filmes, exporta dramas judiciais que parecem roteiros mal escritos da Netflix. Jasveen Sangha, a “Rainha da Cetamina”, decidiu se declarar culpada pela overdose que matou Matthew Perry — sim, o Chandler de Friends — depois de uma jacuzzi temperada com droga líquida. O caso, digno de um true crime barato, mostra a espetacularização da decadência de Hollywood: Perry, que lutava contra vícios, acabou sendo mais uma vítima da indústria que romantiza excessos e depois se choca quando a vida imita a arte. O acordo judicial faz de Sangha a quinta e última ré a aceitar a culpa, como se fosse a temporada final de uma série arrastada que todo mundo já sabia o desfecho. Ela pode pegar até 20 anos de prisão, mas em Hollywood até sentença vira espetáculo: logo mais surgirá um documentário, um podcast investigativo e, quem sabe, uma cinebiografia estrelada por uma atriz indie. Perry morreu na água, Sangha afunda no sistema, e o público continua mergulhando no entretenimento mórbido.

“Rainha da Cetamina” assume culpa da morte do astro Matthew Perry (Foto: Google)
“Rainha da Cetamina” assume culpa da morte do astro Matthew Perry (Foto: Google)

Collor liberou o comércio aos domingos em 1990: o dia em que a preguiça perdeu para o capitalismo

Exatamente 35 anos atrás, Collor — aquele que dizia caçar marajás, mas acabou caçado pela História — autorizava a abertura do comércio aos domingos, depois de 41 anos de descanso compulsório para lojistas e consumidores. O Brasil entrava de vez na lógica de que o sagrado não é o dia do Senhor, mas o dia do consumo. De lá para cá, domingos viraram uma mistura de missa, shopping e churrasco. O trabalhador que antes sonhava com o descanso dominical passou a disputar espaço com vitrines piscantes e promoções “imperdíveis”. Collor, como bom precursor da modernidade tropical, abriu caminho para o culto ao consumo que hoje naturaliza o fato de um caixa de supermercado trabalhar mais horas do que um parlamentar em Brasília. O domingo perdeu sua aura, mas ganhou Wi-Fi, cartão parcelado em 12 vezes e a ilusão de que liberdade é poder comprar pão francês às oito da noite. E assim seguimos: entre a cruz, o boleto e a sacola plástica.

DNA-HPV no SUS: ciência finalmente supera o Papanicolau e a burocracia promete não atrapalhar (tanto)

O Ministério da Saúde começa a distribuir o exame DNA-HPV, que deve substituir progressivamente o famoso Papanicolau no rastreamento do câncer de colo do útero. Um avanço científico digno de palmas: o novo teste é mais preciso, mais rápido e pode salvar milhares de vidas. A novidade é que o Brasil, país onde a fila do SUS é eterna, promete estar mais adiantado que países europeus na implementação. Milagre? Não. Apenas o reaproveitamento da estrutura criada durante a pandemia, quando até farmácia de bairro virou laboratório de biologia molecular improvisado. A meta é atender 7 milhões de mulheres anualmente até 2026, cobrindo faixas etárias de 25 a 64 anos. O discurso oficial é otimista: menos tempo de espera, tratamento precoce e mais eficiência. O subtexto, claro, é outro: será que o país que ainda luta para garantir preservativo em posto de saúde vai dar conta de distribuir exames de alta precisão? A medicina avança; o desafio é o Brasil não tropeçar em si mesmo.

Leia ou ouça também:  Kevin Federline, Rádio de Varsóvia, Gaza...

Tarcísio em almoço com banqueiros: polo Hugo Boss, jeans de candidato e discurso de herdeiro político

No último sábado, Tarcísio de Freitas foi tratado como presidenciável em almoço oferecido por banqueiros e CEOs na Fazenda Boa Vista. De polo cinza da Hugo Boss, calça jeans e tênis — uniforme do político que quer parecer acessível sem deixar de ser milionário por osmose —, discursou por quase duas horas. Falou da carreira, citou Dilma com respeito, criticou a ineficiência do Governo e arrancou aplausos de uma plateia que, entre uma taça de vinho e outra, decide destinos do país sem nunca pegar metrô lotado. O mais curioso: Tarcísio se equilibra entre mostrar lealdade a Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar e inelegível, e se vender como “direita palatável” aos que temem ser governados por herdeiros radicais como Eduardo e Carlos. Nas rodas de conversa, banqueiros já chamam os filhos de Bolsonaro de “ratos oportunistas” — imaginem quando começarem a chamar de “herdeiros falidos”. No tabuleiro da sucessão, Tarcísio ensaia o passo de presidenciável sem dizer que é candidato. Os banqueiros, claro, já ouviram esse samba antes.

Dino x Trump: sanções, STF, diplomacia de Twitter e a novela geopolítica tropicalizada

Flávio Dino ousou: decidiu que medidas de Estados estrangeiros, como sanções financeiras dos EUA, só valem no Brasil com autorização do STF. Foi o suficiente para a diplomacia de Donald Trump chamar Alexandre de Moraes de “tóxico” e ameaçar quem ousar manter negócios com ele. O episódio, que mistura direito internacional com briga de condomínio global, virou espetáculo nas redes sociais: o Departamento de Estado publica, a Embaixada americana replica e Eduardo Bolsonaro aplaude como se fosse estagiário terceirizado da Casa Branca. No meio disso, o STF tenta parecer guardião da soberania, mas cai na realpolitik: não é um despacho de ministro que impede sanção americana de cair como bomba no sistema financeiro. O Brasil, mais uma vez, é palco de uma tragicomédia em que a toga enfrenta a águia imperial com posts no X. E se a diplomacia já foi feita com telegramas selados e whisky de gabinete, agora ela se resume a tweets mal-humorados. Bem-vindos ao século XXI: onde até a guerra fria é transmitida em tempo real.

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“Rainha da Cetamina” assume culpa

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