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Michael Jackson, o morto mais lucrativo…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 4 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 20 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

08 de janeiro de 2023, Brasília em ruínas e a pedagogia do vexame nacional: quando o golpe virou selfie, souvenir e processo judicial

O 8 de janeiro de 2023 não pede celebração, pede memória. Naquele domingo, bolsonaristas extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, numa tentativa grotesca de instigar um golpe de Estado contra um Governo recém-empossado. Não foi protesto; foi vandalismo com pretensão messiânica.

Vidraças quebradas, obras de arte destruídas, plenários profanados. A cena correu o mundo em tempo real, registrada com zelo pelos próprios invasores. Raramente a história foi tão pedagógica: golpistas filmando seus crimes como se fossem turistas de um apocalipse mal planejado.

Lula decretou intervenção federal no Distrito Federal. O golpe fracassou antes do jantar. O que restou foram prisões, processos e um silêncio constrangido daqueles que juravam defender a pátria quebrando o patrimônio dela.

Três anos depois, o 8 de janeiro segue como lembrete incômodo: democracia não é cenário, não é performance e muito menos decoração ideológica. É estrutura — e cobra caro de quem tenta transformá-la em selfie.

50 Cent, gangues históricas, streaming voraz e a estética do caos como produto premium: violência real embalada para consumo global

Curtis “50 Cent” Jackson nunca desperdiça uma boa tragédia. Ao anunciar a série Gang Wars, prometendo um olhar “sem filtros” sobre as rivalidades de gangues mais infames dos Estados Unidos, ele faz o que Hollywood faz de melhor: transforma violência real em produto premium. A estética é de denúncia; o motor, invariavelmente, é o lucro.

O projeto chega embalado pela esteira de sucesso de Sean Combs: O Acerto de Contas, documentário recente que ajudou a consolidar a nova especialidade do rapper-produtor: autópsias morais em streaming. A Netflix exibiu, o público maratonou, e o retratado ameaçou processar. Nada mais contemporâneo do que disputar reputação no tribunal e audiência no sofá.

A retórica é sempre a mesma: acesso inédito, relatos nunca ouvidos, verdade crua. O resultado costuma ser previsível. Dor vira narrativa, caos vira série, e o algoritmo decide o enquadramento. As gangues, antes presas ao território, agora disputam atenção global sob demanda.

No capitalismo audiovisual, até o submundo precisa de showrunner. E 50 Cent, que saiu dele, sabe exatamente como vendê-lo — sem culpa, sem filtro e com excelente retorno sobre investimento.

Michelle Bolsonaro, PL Mulher, salário suspenso do marido e a reinvenção criativa da renda familiar: quando a política vira um plano B doméstico

No PL, ninguém finge surpresa, apenas decoro. Emissários de Jair Bolsonaro têm circulado pelos corredores partidários levando a Waldemar da Costa Neto um pedido que não é exatamente político, mas contábil: aumentar o salário de Michelle Bolsonaro. Hoje, à frente do PL Mulher, a ex-primeira-dama recebe cerca de R$ 41 mil mensais — cifra respeitável, porém, aparentemente insuficiente para a nova realidade doméstica pós-STF.

O argumento oficial fala em reconhecimento de liderança e capital eleitoral feminino. Internamente, porém, a leitura é outra, bem menos nobre e muito mais pragmática. Desde que Bolsonaro foi condenado, o partido suspendeu o salário de R$ 46 mil que pagava ao ex-presidente. E dinheiro, como se sabe, não evapora: apenas muda de bolso, CPF ou justificativa.

Leia ou ouça também:  Cosan, Lionel Messi, Radiohead...

Michelle surge, assim, como solução criativa para um problema previsível. Não é ascensão política; é rearranjo financeiro. Uma espécie de previdência informal de emergência, bancada pelo fundo partidário e legitimada por discurso moral. O Brasil sempre soube misturar família, fé e orçamento público — aqui, apenas se profissionaliza o método.

Não se trata de ilegalidade explícita, mas de um malabarismo ético daqueles que dispensam rede de proteção. Quando o partido paga a esposa porque não pode mais pagar o marido, a política deixa de ser ideologia e vira contabilidade criativa. É o bolsonarismo adaptado à vida real: menos palanque, mais planilha.

Michael Jackson, o morto mais lucrativo do planeta, e a prova definitiva de que o capitalismo não respeita nem o descanso eterno

Michael Jackson morreu em 2009, mas segue trabalhando mais do que muito vivo por aí. Pelo terceiro ano consecutivo, lidera a lista da Forbes como a celebridade morta mais bem paga do planeta. Só no último ano, seu espólio faturou cerca de US$ 105 milhões, impulsionado por royalties, licenciamentos e o onipresente “MJ: The Musical”, na Broadway.

Desde a morte, o caixa acumulado já passa de US$ 3,5 bilhões. Um feito notável até para padrões de Wall Street. Dr. Seuss, Pink Floyd, Notorious B.I.G., Elvis, Marley, Lennon — todos seguem firmes na engrenagem. O ranking parece menos uma homenagem e mais um balanço trimestral do além.

A mensagem é cristalina: no capitalismo tardio, a morte não encerra contratos; ela os eterniza. Ídolos bem administrados não envelhecem, não erram e não dão entrevistas inconvenientes. Rendimentos estáveis, riscos mínimos.

Michael Jackson virou a prova definitiva de que o descanso eterno é opcional quando a marca é boa o suficiente. No show business, o túmulo é apenas mais uma unidade de negócios.

Michael Jackson virou a prova definitiva de que o descanso eterno é opcional (Foto: Wiki)
Michael Jackson virou a prova definitiva de que o descanso eterno é opcional (Foto: Wiki)

08 de janeiro de 2023, Brasília em ruínas e a pedagogia do vexame nacional

50 Cent, gangues históricas, streaming voraz e a estética do caos como produto premium

Michael Jackson é a prova definitiva de que o capitalismo não respeita nem o descanso eterno

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