Norah Jones, ‘Custo Brasil’, impostos…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Brasileiro trabalha até hoje só para pagar impostos
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o brasileiro médio precisou trabalhar 144 dias em 2025 só para quitar sua dívida com o Leão. Ou seja, tudo que você ralou desde o primeiro de janeiro até agora serviu basicamente para alimentar a fome infinita da máquina pública. Parabéns! A partir de amanhã, o seu salário finalmente será seu — pelo menos até virem as taxas, os pedágios, a inflação camuflada e o “ajuste” das contas públicas. Enquanto isso, nossos parlamentares brincam de emendar o Orçamento com verbas secretas e salários indecentes. Mas não se preocupe: o brasileiro já se acostumou a pagar imposto como quem paga penitência. Resta saber se um dia essa fé tributária será recompensada com um Estado que funcione. Spoiler: difícil.
ONU celebra o Dia Internacional das Forças de Paz
A ONU dedica o dia de hoje para homenagear os capacetes azuis — os soldados que tentam manter a paz em um mundo que mal sabe o que essa palavra significa. Desde 1948, mais de 4 mil morreram em campo, o que já mostra o grau de “tranquilidade” das missões. No Brasil, o Itamaraty parabenizará os militares brasileiros que participaram de operações em países como Haiti, Líbano e Congo. Paz é uma daquelas ideias que a humanidade idolatra, mas que raramente consegue pôr em prática. Ainda assim, há algo poeticamente corajoso em enviar soldados para acalmar regiões em chamas com nada mais que disciplina, farda e uma bandeira da ONU no braço. Pena que o resto do mundo ainda ache mais eficaz resolver tudo com drone e embargo.
TCU debate o ‘Custo Brasil’ em evento online
O Tribunal de Contas da União promove hoje um evento online para discutir o famigerado “Custo Brasil” — aquele peso morto que empresários, empreendedores e cidadãos carregam nas costas graças à ineficiência estatal. O encontro reúne especialistas, técnicos e autoridades que, ironicamente, fazem parte do próprio sistema que cria esse custo. Falam de burocracia, da carga tributária, da insegurança jurídica… mas ninguém ousa mencionar o elefante na sala: a estrutura pública inchada, cara e, muitas vezes, improdutiva. O evento é gratuito e transmitido ao vivo. Só não garantimos que resolva alguma coisa. No fim, o Custo Brasil segue sendo um daqueles enigmas nacionais que todos fingem que estão resolvendo, mas que continuam sendo jogados no colo do próximo Governo.
Norah Jones se apresenta em Curitiba com a turnê ‘Visions’
A cantora norte-americana Norah Jones, ícone da suavidade sonora e musa dos cafés aconchegantes, se apresenta nesta quinta-feira (29) em Curitiba. A turnê “Visions”, que mistura jazz, soul, folk e aquele charme melancólico, promete embalar corações sensíveis e nostálgicos. Em tempos de gritaria digital e playlists com BPM acelerado, Norah surge como uma dose de tranquilizante emocional — algo entre um chá de camomila e um vinil do passado. Os fãs da artista celebram a volta dela ao Brasil como um oásis de elegância em meio ao sertanejo universitário e ao pop plastificado. Um lembrete gentil de que a música ainda pode ser feita com alma, instrumentos reais e letras que não falam de traição num posto de gasolina. Viva Norah.

Recordar é Viver: A Itália entra na Primeira Guerra Mundial (1915)
Em 29 de maio de 1915, a Itália, até então neutra, decide finalmente entrar na Primeira Guerra Mundial — contra os impérios Centrais, depois de ter sido seduzida pelas promessas da Tríplice Entente. Foi o típico caso de “cheguei atrasado, mas quero brigar também”. O governo italiano esperava receber territórios e reconhecimento, mas, como em toda guerra, acabou colhendo cadáveres, crise econômica e um trauma nacional que duraria décadas. A entrada da Itália na guerra simboliza bem o espírito europeu da época: alianças flexíveis, promessas enganosas e uma disposição absurda de sacrificar gerações inteiras por mapas. Mais de 600 mil soldados italianos morreram no conflito. No final, o país ganhou poucos pedaços de terra e uma conta impagável. A guerra terminou em 1918. A confusão, nem tanto.
Mercado editorial brasileiro registra retração no primeiro trimestre
O setor editorial brasileiro encolheu 6% no primeiro trimestre de 2025, segundo levantamento da Nielsen BookScan. O que é uma péssima notícia para quem ainda acredita que ler muda alguma coisa — inclusive o país. As causas vão do óbvio (queda no poder aquisitivo) ao crônico (desinteresse do público), passando pela concorrência desleal dos algoritmos e das redes sociais. A livraria física virou quase um espaço de resistência estética. Editoras cortam tiragens, livreiros lutam para sobreviver e autores rezam para que alguém compre seu livro além da própria mãe. Em um país onde presidente lê “relatórios” e ministros trocam literatura por PowerPoint, o livro segue firme apenas como item de decoração em apartamentos com estante gourmet. Triste, porém, coerente.

Última atualização da matéria foi há 8 meses
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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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