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Tereza Cristina, Musk, Trump…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Bolsonaro preso, Flávio candidato, Tarcísio messias e a direita implorando anistia: a tragicomédia eleitoral digna de Macaco Tião

Bolsonaro sonhou com comoção popular, mas encontrou silêncio constrangedor e selfie com pombas. Preso, definha politicamente, enquanto seu entorno admite que a única chance de ressurreição eleitoral é montar um altar para Tarcísio de Freitas. Flávio, com senso de oportunidade digno de faroeste picareta, anunciou-se candidato à Presidência — apenas para usar a candidatura como instrumento de chantagem pela anistia aos condenados do 8 de janeiro. “Aprova agora e negociamos a chapa depois” virou a versão bolsonarista de “libera que eu te amo”. Os partidos, cínicos e pragmáticos, fingem não escutar. Tarcísio, que já prometeu indulto ao patriarca, é visto pela elite econômica como “único viável”. Tudo isso enquanto Eduardo ameaça apoiar até o Macaco Tião, e Michelle e enteados transformam a política em “Casos de Família”. A direita brasileira não tem programa, tem novela.

Republicanos contrata marqueteiro milionário para manter Tarcísio em cativeiro: o medo do PL virou ciência exata com recibo de R$ 6 milhões

Se os partidos brasileiros fossem casas de jogos, o Republicanos seria aquele cassino evangélico clandestino que jura amor à família enquanto conta notas no banheiro. Para evitar que Tarcísio de Freitas seja seduzido pelo PL, o partido torrará R$ 6 milhões na pré-campanha com o marqueteiro Pablo Nobem e sua agência PLKT. O objetivo: prender o governador no colo da Universal e impedir que Valdemar Costa Neto leve o menino prodígio para brincar com gente grande. Nada mais elegante do que um investimento milionário para defender “valores cristãos”. A ironia é matemática: o Republicanos gasta para segurar alguém que talvez nem queira ficar, e teme que Tarcísio possa virar antagonista de Lula, quando, na verdade, o governador parece mais interessado em não estragar o terno do que salvar o país. Marketing político virou indústria de contenção de danos, com sotaque argentino e nota fiscal celestial.

Eduardo Bolsonaro, Tereza Cristina, Lula, Trump, carne bovina e café: quando o nacionalismo vira ciúme possessivo e o WhatsApp continua sendo o boteco tóxico do bolsonarismo

A senadora Tereza Cristina, aquela que foi vendida como a “agro queen” do bolsonarismo tecnocrático, descobriu rápido que o carinho de Eduardo Bolsonaro funciona como adesivo de carro: cola fácil, mas arranca tinta. A heresia da vez foi elogiar os “negociadores brasileiros” após Donald Trump revogar a sobretaxa de 40% sobre produtos nacionais — medida que pareceu, aos olhos treinados da família, um aceno subliminar a Lula. Nada é mais imperdoável no núcleo bolsológico do que elogiar alguém que respire fora do cercadinho. Eduardo, que coleciona rachas com ex-aliados como quem coleciona bonés táticos, agora estimula ataques à senadora em grupos de WhatsApp, onde a inteligência morre de overdose. A frustração tem seu motivo: o “clã” tem perdido todas as batalhas simbólicas entre tarifas, diplomacia e reality show geopolítico, e Tarcísio já foi cogitado vice — heresia suprema. A família, que vive em estado de guerra santa com o mundo, vê qualquer movimento racional como traição ideológica. O agro, que deveria ser pop, virou apenas um ringue.

Tereza Cristina foi vendida como a “agro queen” do bolsonarismo tecnocrático (Foto: EBC)
Tereza Cristina foi vendida como a “agro queen” do bolsonarismo tecnocrático (Foto: EBC)

09 de dezembro de 1992: quando a monarquia britânica transformou fofoca de tabloide em instrumento oficial de Estado — e Charles e Diana entraram no purgatório público

O primeiro-ministro John Major anunciou a separação de Charles e Diana como quem comunica o cancelamento de um time da Champions League. O palácio tentou vender o caos como “questão privada com implicações públicas”, mas o castelo Windsor nunca soube lidar com humanidade real. O casamento, que já era um espetáculo de desamor com cobertura global, tornou-se um laboratório de humilhação. A mídia britânica fez o que melhor sabe: industrializou o voyeurismo com verniz de jornalismo investigativo. A monarquia, por sua vez, percebeu tardiamente que não deveria entrar em guerra contra o povo britânico, pois, esse povo tem um fetiche por ver aristocrata sangrar. O que começou como “crise institucional” virou entretenimento premium do fim de século.

Leia ou ouça também:  Reag, URSS, Adult Swim...

Elon Musk quer abolir a União Europeia, mas promete que ninguém precisará trabalhar: o homem que diz que ama a Europa, mas odeia qualquer coisa que limite seu ego

Elon Musk, multado em 120 milhões de euros por violar normas do DSA, concluiu que a solução lógica é abolir a União Europeia. Um homem de 230 milhões de seguidores e 120 horas semanais de trabalho não poderia reagir com menos humildade. Entre declarações contra burocracia, alinhamento com a Casa Branca trumpista e discursos civilizacionais, Musk agora promete que “trabalhar será opcional” graças à IA e robôs humanoides. O mesmo sujeito que escreveu “ninguém mudou o mundo trabalhando 40 horas por semana” descobre o encanto de não trabalhar — desde que máquinas, e não sindicatos, façam o serviço. O mito do workaholic visionário se converte em profeta do ócio tecnológico. A distinção é simples: antes, Musk vendia suor; agora, vende transcendência. Em ambos os casos, continua claro que ele só gosta de sistemas que pode controlar. A Europa, infelizmente (para ele, claro), não estava na lista.

Trump reúne George Strait, Stallone, Kiss e Gloria Gaynor: o Kennedy Center vira show de variedades, com previsões de audiência ditadas por narcisismo messiânico

Donald Trump, agora presidente, apresentador, curador cultural e profeta das métricas de audiência, reuniu medalhões da cultura pop e declarou que provavelmente estava diante da “turma mais talentosa da história dos EUA”. Algo entre exagero profissional e síndrome de comentarista esportivo. Entre elogios capilares a Gloria Gaynor e referência a “alguns dos melhores filmes da história” quando fala de Stallone, Trump operou como mestre de cerimônia e dono da Tiffany, entregando medalhas redesenhadas para músicos do Kiss e celebrando o glamour de uma América que só existe em câmera lenta e patriótica. Antes da transmissão pela CBS e Paramount+, fez a única previsão que lhe interessa: “será o programa mais assistido da história”. Quando os fatos falham, ele aposta no espetáculo. Trump não governa: ele programa. O país virou plateia, e todo governo, reality show.

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