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Tiktok, Acre, Noam Chomsky…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Eduardo Cunha, Arthur Lira, Guilherme Derrite e o jantar mais fortuito desde a Última Ceia: Brasília prova que encontros “por acaso” sempre têm pauta — menos a que importa

Na Brasília que nunca decepciona o entusiasta do realismo mágico, uma foto de um jantar a três — quase um tríptico renascentista, só que sem arte e com mais acordos tácitos — tomou jornais e telejornais: Eduardo Cunha, Arthur Lira e Guilherme Derrite dividindo mesa, guardanapos e, muito provavelmente, silêncios estratégicos. Cunha, sempre ele, ressurgiu das cinzas políticas com a mesma naturalidade com que fênix nenhuma teria coragem. Raposa velha, astuta e com um faro para enrascada que faria inveja a Sherlock Holmes, correu para dizer que tudo foi “fortuito”. Sim, claro: Brasília é esse lugar mágico onde três homens influentes, investigados, poderosos e ocupadíssimos simplesmente se trombam num restaurante como quem encontra colega do primário no shopping. Enquanto isso, Derrite — hoje um hobby ambulante de mudar versões — já acumula quatro explicações sobre o tal projeto anti-facção. Espere algumas horas e a quinta estará disponível, provavelmente com ajustes de roteiro feitos no caminho entre um corredor e outro. Mas, segundo ele, não se falou do projeto. Nem de nada, imagina. A imprensa insiste na pauta; os envolvidos insistem na coincidência. É o tipo de teatro político que nem Tchekhov ousaria escrever, por medo de parecer exagerado demais. É curioso: quanto mais negam conversas, mais claro fica que conversaram. O Brasil, que já não aguenta mais plot twists institucionais, assiste ao espetáculo pensando se não era melhor ganhar uma assinatura vitalícia em um streaming de ficção política. Seria menos previsível.

Eduardo Bolsonaro, STF, coação, tarifaço, sanções, Donald Trump e o Brasil tentando ser país enquanto vira roteiro de drama geopolítico de quinta categoria

Com o voto de Cármen Lúcia, Eduardo Bolsonaro virou réu no STF por suposta tentativa de interferência num processo envolvendo seu pai — o ex-presidente condenado a 27 anos por liderar organização criminosa. O caso é daqueles que fariam até Franz Kafka pedir desculpas por exagerar. Segundo Alexandre de Moraes, o deputado articulou ameaças internacionais aos ministros, buscando sanções dos Estados Unidos, tarifas, cancelamentos de vistos e até aplicação da Lei Magnitsky contra magistrados brasileiros. Uma espécie de diplomacia da intimidação, versão hardcore. O governo Donald Trump, que parece ter transformado política externa em deriva criativa, de fato anunciou uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, alegando injustiças contra Bolsonaro. A justificativa? Nenhuma. Provas? Nem sombra. Foi Geopolítica de Boutique, ideal para quem confunde soberania com clube de fãs. Agora, Eduardo enfrenta ação penal. Ministros votam digitalmente, o país acompanha como quem assiste final de reality show jurídico, e o mundo observa essa tragicomédia sul-americana com a curiosidade de quem vê novela estrangeira sem legenda. Enquanto isso, Moraes, sancionado como se fosse oligarca russo, segue tocando o processo. É o Brasil 2025: onde o filho tenta salvar o pai e, no meio do caminho, inventa uma crise internacional.

Noam Chomsky, Jeffrey Epstein, Lula e um e-mail enigmático: quando a pós-verdade faz linguística aplicada com delírio conspiratório e AVC no meio

A linguista brasileira Valéria Chomsky precisou esclarecer o óbvio: não, seu marido, Noam Chomsky, não intermediou uma ligação entre Lula e Jeffrey Epstein dentro de uma prisão federal brasileira. A acusação, surgida de um e-mail lacônico de Epstein — hoje documento de fetiche para quem coleciona teorias conspiratórias — virou manchete, meme, debate, delírio e, claro, munição política para quem prefere ficção a fatos. Valéria, com a sobriedade de quem já viu muita bobagem circular, chamou tudo de “infundado e mentiroso”, lembrando que celulares ficaram retidos na recepção e que ela própria traduziu toda a conversa. Mas a pós-verdade não tem vergonha. O e-mail de Epstein, curto, misterioso e convenientemente sem contexto, virou combustível para a imaginação de gente que acha que House of Cards é documentário. Chomsky, debilitado por sequelas de AVC, nem pode responder — e justamente por isso tem sido usado como personagem mudo dessa novela lamentável. O Planalto também negou, claro, mas negar não basta quando o zap já decretou que o linguista marxista-pós-estruturalista-globalista-terrorista-satânico fez uma ligação internacional clandestina direto da Polícia Federal. Vivemos tempos em que um e-mail críptico vale mais que uma nota oficial. E, aqui entre nós, Epstein deve estar rindo no além: conseguiu causar confusão até morto.

Chomsky, não intermediou uma ligação entre Lula e o fantasma Jeffrey Epstein (Foto: Wiki)
Chomsky, não intermediou uma ligação entre Lula e o fantasma Jeffrey Epstein (Foto: Wiki)

Kim Kardashian, Ryan Murphy, críticas com 10% de aprovação e um Copacabana Palace para chamar de sala: quando a opinião pública vira apenas um Tiktok com carpete vermelho

“Críticas negativas? Não ouvi nada!” — disse Kim Kardashian, num misto de ironia involuntária e pragmatismo empresarial que faria Maquiavel levantar uma sobrancelha. Tudo é Justo, nova empreitada televisiva de Ryan Murphy, conseguiu a proeza de não conquistar a crítica, mas conquistar o público — feito raro no século XXI, quando ninguém concorda com nada, mas todo mundo assiste tudo. Com menos de 10% de aprovação dos especialistas, a série subiu ao topo do Hulu movida a fofoca, glamour e aquela necessidade coletiva de acompanhar um drama judicial sem consequências reais para a própria vida. No Copacabana Palace, Kim cruzou o tapete vermelho como quem desfila entre duas eras: a dos críticos que ainda usam palavras e a dos críticos que usam filtros e dancinhas. Para ela, os novos formadores de opinião são tiktokers — e quem ousa discordar? Os antigos críticos, coitados, continuam redigindo textos de 1.500 palavras enquanto o mundo decide tudo em vídeos de 12 segundos. Sarah Paulson, Naomi Watts e Niecy Nash-Betts compuseram o séquito estelar que acompanhou a empresária-atriz-produtora nesse rito de passagem tropical. Kim, num raro momento filosófico, resumiu a vida moderna: se está se divertindo, está ganhando. E Niecy Nash, com a sabedoria de quem tem 30 anos de carreira, completou: falem bem, falem mal, falem. No fundo, Tudo é Justo é a ficção perfeita para uma geração que não quer justiça — quer entretenimento com hashtags. E isso, convenhamos, o Hulu entrega com louvor.

Leia ou ouça também:  Mangione foi salvo pelo gongo judicial…

Tratado de Petrópolis, Acre, seringueiros, diplomacia do século XX e a eterna pergunta nacional: como um pedaço de terra virou meme antes de virar estado

Em 17 de novembro de 1903, Brasil e Bolívia assinaram o Tratado de Petrópolis, garantindo ao Brasil a posse do Acre — a terra que, um século depois, seria tratada como se fosse lenda urbana, entidade metafísica ou pegadinha geográfica. O acordo foi um daqueles momentos raros em que a diplomacia brasileira mostrou precisão cirúrgica, charme imperial tardio e, claro, a clássica habilidade de conquistar território sem recorrer a um mísero canhão. O Barão do Rio Branco, aliás, provavelmente venceria qualquer final de The Apprentice com uma mão nas costas. O Acre, à época, era o eldorado da borracha, cobiçado por seringueiros brasileiros e disputado por uma Bolívia que tentava transformar floresta em dividendos. O Brasil fez o que qualquer império cafeeiro faria: resolveu comprar a briga, literalmente. Comprou, pagou, negociou — e hoje o estado é tão brasileiro quanto a piada pronta que o acompanha. Ali, onde se misturam história, fronteira, exploração, batalhas esquecidas e uma diplomacia que não se repete mais, nasce um pedaço do país que muitos insistem em tratar como ficção científica. Ironia fina: o Brasil brigou tanto por um território que, um século depois, boa parte dos brasileiros jura que não existe. Rio Branco não merecia isso.

Tarifaço de Donald Trump, alívio de 10%, castanhas e suco de laranja livres — e o resto do Brasil pagando 40% para brincar no mercado americano: diplomacia da esmola tarifária

Os Estados Unidos retiraram a tarifa de 10% sobre 238 produtos brasileiros — gesto simpático, elegante e praticamente inútil. Afinal, a sobretaxa de 40% permanece firme, forte e impiedosa, como aquele professor carrancudo que tira seu ponto extra mas mantém a prova valendo 12. No fim das contas, apenas quatro produtos — três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará — ganharam isenção total. Um alívio digno de homeopatia. A CNI, sempre diplomática, chamou a medida de “insuficiente”. Minas Gerais disse que é “um passo importante, mas pequeno”. E o setor cafeeiro continuou com o humor de quem toma espresso queimado: o Brasil teve redução, mas a Colômbia teve tarifa zerada e o Vietnã praticamente zerada. Ou seja, o café brasileiro entrou para a modalidade tarifária “corra, mas não chegue”. A carne bovina pelo menos respirou: o imposto caiu de 76,4% para 66,4%. Excelente, se você considerar que antes da era Trump era só 26,4%. É o típico desconto de Black Friday fajuta — “de R$ 999 por R$ 899”. Geraldo Alckmin, nossa encarnação viva da tecnocracia calma, disse que o Brasil precisa “melhorar a competitividade”. Em bom português: negociar, negociar, negociar, e torcer para que o próximo meme diplomático renda alguma vantagem real. Enquanto isso, o tarifaço segue reinando — um lembrete elegante de que, no comércio internacional, não existem amigos: existem porcentagens.

Eduardo Cunha, Arthur Lira, Guilherme Derrite e o jantar mais fortuito desde a Última Ceia

Eduardo Bolsonaro, STF, coação, tarifaço, sanções, Donald Trump e o Brasil tentando ser país

Noam Chomsky, Jeffrey Epstein, Lula e um e-mail enigmático

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