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Santos TV, Seleção, Ibirapuera…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Neymar, Santos, apostas e a velha alquimia do futebol brasileiro: transformar paixão em contrato vitalício para a família

Neymar Jr., em plena recuperação emocional da surra histórica para o Vasco, descobriu que a bola não rende tanto quanto a caneta. Dentro do campo, o drible ainda rende cortes; fora dele, assina contratos que valem como um passe de letra no caixa do clube. O acordo de naming rights da Santos TV com a 7K, que pode lhe garantir até 75% do bolo, soa menos como marketing esportivo e mais como monopólio familiar: Neymar Pai, CEO de Neymar Filho S.A., costurou a costela do peixe e entregou ao herdeiro. O Santos, outrora templo de Pelé, agora se resigna a ser franquia de Neymar: de uniforme a stories, tudo monetizado. A pergunta, evidentemente, é se o clube joga por amor à camisa ou por royalties do streaming. Não se trata apenas de negócio; é a institucionalização da simbiose entre ídolo e instituição, um casamento de conveniência no qual o torcedor vira assinante. O torcedor comum, claro, não leva um centavo — só emoção e boleto. Entre a bola que rola e o contrato que engorda, a matemática é simples: Neymar já não precisa de gols, precisa de cláusulas.

Trump, Fifa, Congresso e a Seleção Brasileira: quando até o passaporte vira bola dividida em jogo diplomático

O Brasil corre o risco de ver sua Seleção barrada antes mesmo de entrar em campo. Congressistas americanos, embalados pelo trumpismo patriótico, flertam com o cancelamento do visto da delegação brasileira para a Copa. Seria o equivalente a punir o público com greve de Carnaval: politicamente inútil, mas barulhento. A Fifa, que adora ditaduras mas não tolera bilheterias esvaziadas, já percebeu a ironia: se até países-sede com regimes de chumbo recebem seleções inimigas, barrar o Brasil seria um vexame geopolítico digno de sátira. Trump insiste que as sanções atuais são leves demais e defende apertar o torniquete até machucar a canela. O cálculo é perverso: quanto mais a Casa Branca espreme, mais o “regime autoritário brasileiro” posa de vítima. E a CBF, na tradição de resolver crises com concentração na Flórida, negocia hotel e campo de treino como se Miami fosse extensão de Teresópolis. Futebol e diplomacia se encontram: um chute de Trump aqui, uma defesa de Infantino ali — e a bola, como sempre, bate no torcedor.

Cão contra fantasmas, Google contra spoilers: Good Boy, o filme que prova que o trauma animal vale mais que o enredo

A grande dúvida da internet em agosto não é sobre inflação, política ou guerra: é se o cachorro de Good Boy sobrevive. Após o trailer do terror da Shudder, o Google registrou um salto de 2000% nas buscas por “o cachorro morre no final?”. O diretor Ben Leonberg estreia com ousadia: um longa contado sob a perspectiva canina, com Indy — já laureado no SXSW — encarando espectros numa casa mal-assombrada. A crítica rendeu 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas o público parece mais interessado na integridade do focinho do que na trama. A cultura pop já sabe: matar cachorro em filme virou tabu, trauma herdado de John Wick e Eu Sou a Lenda. Leonberg promete sustos sem esse recurso, o que é quase uma revolução narrativa em Hollywood. O curioso é notar como o animal virou símbolo de confiança: personagens humanos são descartáveis, mas cães precisam de blindagem contratual. No fundo, Good Boy é menos sobre terror sobrenatural e mais sobre a superstição moderna de que não se brinca com a vida de mascotes no cinema.

Ibirapuera completa 71 anos: o parque que sobreviveu a políticos, urbanistas e skatistas adolescentes

Em 21 de agosto de 1954, São Paulo inaugurava sua maior contradição verde: o Parque Ibirapuera. Uma utopia modernista de Niemeyer e Burle Marx, desenhada para ser vitrine da capital industrial, virou arena democrática onde coexistem caminhadas de idosos, protestos estudantis e churrascos improvisados. Ao completar 71 anos, o parque é uma metáfora paulistana: sempre cheio, sempre caótico, sempre necessário. Já foi palco de Bienais e de blocos de Carnaval, de visitas presidenciais e de rolês de bicicleta. É, ao mesmo tempo, patrimônio histórico e espaço de sobrevivência urbana. Sua resistência não é pouca coisa: sobreviveu a projetos megalomaníacos de prefeitos, à especulação imobiliária voraz e à eterna disputa entre usuários que acham que o espaço é público e concessionárias que querem transformá-lo em shopping ao ar livre. O Ibirapuera é o raro território onde a cidade admite sua necessidade de sombra — não por gentileza, mas por exaustão. O aniversário é uma lembrança: sem ele, São Paulo seria apenas concreto e pressa.

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Em 21 de agosto de 1954, São Paulo inaugurava o Parque Ibirapuera (Foto: Google)
Em 21 de agosto de 1954, São Paulo inaugurava o Parque Ibirapuera (Foto: Google)

Céu lotado, recorde histórico: 11,6 milhões de passageiros em julho e o Brasil descobre que voar é o novo ônibus

O setor aéreo brasileiro atingiu em julho um número histórico: 11,6 milhões de passageiros em um único mês. Doméstico, internacional, de mochila ou mala dura, o brasileiro lotou aeroportos como se fossem rodoviárias high-tech. Os dados da Anac revelam crescimento de quase 6% em relação ao ano passado, confirmando que viajar de avião deixou de ser luxo — embora a experiência continue a ter o mesmo glamour de pegar um ônibus na Barra Funda. As empresas comemoram, mas o passageiro ainda reclama: assento estreito, fila eterna e Wi-Fi que funciona pior que rádio de pilha. No plano macro, o Brasil virou destaque turístico, quinto destino mais visitado das Américas, superando a Argentina — um consolo patriótico que ninguém troca por dólar barato. A ONU Turismo vibra, as companhias fazem contas, e o consumidor se resigna: voar ficou mais acessível, mas nunca mais confortável. O céu é dos recordes, mas o check-in continua sendo uma provação dantesca com senha e esteira.

Moraes, Trump e sanções: quando um ministro do STF descobre que virou persona non grata no xadrez global

Alexandre de Moraes, o juiz mais musculoso da República, está agora na lista negra de Donald Trump. Sanções pessoais, tarifas sobre produtos brasileiros e uma disputa judicial que promete render capítulos dignos de série da Netflix compõem o cenário. O magistrado, que já encarou Elon Musk e barrou Bolsonaro, agora enfrenta o desafio de ser sancionado pelo país que adora sancionar todo mundo. Trump, na sua retórica de “caça às bruxas”, exige fim do processo contra Bolsonaro e cobra o Brasil com taxas alfandegárias de meio século. Moraes, por sua vez, aposta na diplomacia e na Justiça americana para reverter a punição — uma ironia para quem virou símbolo de mão de ferro contra arbitrariedades. Aos 56 anos, o ministro transformou a careca e o bíceps em ícones institucionais, mas agora descobre que no tabuleiro internacional a toga não impõe tanto respeito. O episódio é prova de que, para além da separação de Poderes, existe a separação de interesses — e Trump não joga amistoso.

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