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América Latina virou menu degustação…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 4 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 20 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Maduro cai sem saudade, Trump sequestra com aplausos e a Doutrina Donroe oficializa que a América Latina voltou a ser quintal — agora com cercas eletrificadas e gerente em Mar-a-Lago

Não há lágrima a ser derramada por Nicolás Maduro, essa caricatura tardia de caudilho tropical que conseguiu empobrecer um país sentado sobre petróleo, fraudar eleições com a serenidade de um mágico ruim e transformar a Venezuela num museu da escassez. Mas uma coisa é celebrar o fim de um tirano; outra, bem diferente, é aplaudir o método. O sequestro de Maduro e sua esposa por forças norte-americanas, em plena Caracas, não é libertação: é demonstração de força bruta, dessas que dispensam sutileza, direito internacional e vergonha.

Donald Trump não governa com diplomacia; governa com instinto predatório. Sua política externa é mafiosa, personalista e ostensivamente imperial, como se o mundo fosse um grande tabuleiro imobiliário e a América Latina, um lote baldio mal cercado. A doutrina Monroe foi repaginada: agora atende pelo nome de Donroe — e não, infelizmente, não tem nada a ver com o Pato Donald, apenas com a lei da selva.

O pretexto muda conforme a conveniência: ontem comunismo, hoje narcoterrorismo. O objetivo, porém, é cristalino como petróleo cru: expulsar a China do hemisfério e garantir acesso direto a recursos estratégicos. O multilateralismo? Que se dane. As normas éticas? Um estorvo. O sistema construído pelos próprios EUA no pós-guerra virou peça de museu.

O plano anunciado em Mar-a-Lago é de um cinismo quase didático: devolver instalações petrolíferas nacionalizadas, compensar antigas empresas, cobrar a conta da reconstrução da própria Venezuela e, cereja no bolo, manter Trump como gerente supremo da transição — Gaza feelings. O detalhe inconveniente é o óbvio: quem controla fisicamente tudo isso sem ocupação militar? E quem aceita colaborar sem virar Quisling tropical?

Maria Corina Machado foi descartada como produto vencido. Agora os olhares se voltam para figuras do antigo regime, porque revoluções patrocinadas preferem traidores experientes a idealistas imprevisíveis. A vice Delcy Rodríguez assume, temporariamente — palavra que na Venezuela costuma significar “até segunda ordem”.

O alerta final é claro como sirene de ataque aéreo: Trump colocou a América Latina em quarentena política. E quem acredita que Lula encantou o xerife talvez esteja confundindo diplomacia com ilusão ótica.

Eddie Murphy, Clint Eastwood, um tapinha no ombro e o Oscar que ninguém quer perder com dignidade porque a piedade alheia dói mais que a derrota

Quase vinte anos depois, Eddie Murphy resolveu esclarecer um dos maiores mistérios do folclore hollywoodiano: por que ele saiu mais cedo do Oscar de 2007, quando era o favorito e acabou derrotado. A resposta não envolve birra, ego ferido ou chilique de camarim — envolve algo muito mais cruel: compaixão em excesso.

Murphy perdeu o prêmio de Ator Coadjuvante para Alan Arkin, em Pequena Miss Sunshine, e o que se seguiu foi uma romaria de tapinhas nas costas, olhares solidários e aquele sorriso constrangido que diz “você merecia”. Hollywood é ótima em transformar derrotas alheias em catarse coletiva. A gota d’água veio quando Clint Eastwood, monumento vivo da masculinidade silenciosa, resolveu esfregar o ombro do comediante. Era demais.

“Eu não vou ser o coitadinho da noite”, pensou Murphy — e foi embora. Um gesto de autopreservação emocional num ambiente que adora humilhar com ternura. O mais delicioso é que ele já sabia que perderia. Meses antes, ao ver Arkin em ação, decretou o próprio destino com lucidez profética: aquela atuação roubava Oscar. Roubou mesmo.

O episódio diz muito sobre a indústria: o prêmio é importante, mas o ritual da derrota é quase mais simbólico. Perder com elegância é exigido; sofrer em silêncio, obrigatório. Murphy recusou o papel.

Enquanto isso, o tempo passou, o Oscar perdeu relevância, e Murphy segue empregado — inclusive como Burro em Shrek 5, agora adiado para 2027, porque nada é mais eterno que franquia bem-sucedida. Zendaya entra no elenco, um spin-off do Burro vem aí e, ironicamente, Murphy vence onde Hollywood mais valoriza: longe do palco, perto do caixa.

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No fim, ele não ganhou a estatueta. Mas escapou da pena máxima: virar meme de consolo.

06 de janeiro de 2021, quando a democracia americana tropeçou em chapéus vermelhos e o mito da exceção começou a sangrar em horário nobre

Em 6 de janeiro de 2021 — data que deveria ser apenas burocrática — a democracia americana foi invadida por seus próprios fiéis. Apoiadores de Donald Trump, inconformados com a derrota eleitoral de 2020, decidiram que a vontade popular só vale quando coincide com a deles. O Capitólio, símbolo máximo da institucionalidade, virou cenário de reality show golpista.

Não foi um golpe clássico, desses com tanques e pronunciamentos formais. Foi pior: um motim improvisado, alimentado por teorias conspiratórias, ressentimento digital e a convicção perigosa de que eleições são válidas apenas quando vencidas. Um golpe tosco, mas profundamente simbólico.

Trump, como bom incendiário de palanque, fez o que sempre faz: estimulou, recuou, fingiu surpresa e deixou que outros limpassem a sujeira. O resultado foi a quebra de um tabu secular: a transferência pacífica de poder deixou de ser pressuposto automático nos Estados Unidos.

O mais irônico é que muitos dos envolvidos acreditavam estar salvando a democracia, quando na verdade estavam rasgando seu manual de instruções. Bandeiras confederadas circularam onde antes havia discursos solenes. O grotesco venceu o protocolo.

Cinco anos depois, o episódio segue sendo relativizado por uns, explorado por outros e instrumentalizado por Trump como capital político. A tentativa fracassou, mas a ideia ficou: a de que instituições são negociáveis quando atrapalham.

6 de janeiro não foi um ponto fora da curva. Foi o trailer.

Trump ameaça Colômbia, cutuca México, prevê nocaute cubano e confirma que a América Latina virou menu degustação da Casa Branca

Embalado pelo sequestro de Maduro, Donald Trump resolveu ampliar o cardápio. Agora é a Colômbia que “soa bem” como alvo militar, governada, segundo ele, por “um homem doente” — Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país. O diagnóstico foi dado a bordo do Air Force One, porque nada grita sensatez geopolítica como bravatas a 10 mil metros de altitude.

A acusação é velha, reciclada e eficaz: cocaína. O discurso antidrogas volta como licença moral para intervenção, ignorando décadas de corresponsabilidade, consumo interno e hipocrisia estratégica. Petro reagiu como esperado, chamando a fala de ameaça ilegítima e denunciando interesses políticos por trás do blefe musculoso.

O México também entrou na roda: “precisa se organizar”. Tradução livre: alinhar-se. Cuba, segundo Trump, nem precisaria de intervenção — cairia sozinha, como fruta madura esquecida no balcão da Guerra Fria.

Enquanto isso, na Venezuela, Delcy Rodríguez assume interinamente com aval do Supremo e das Forças Armadas, enquanto Trump afirma, sem pudor, que os EUA estão “no comando”. Quem governa? “Não me perguntem”, disse ele — resposta típica de quem já decidiu tudo.

O quadro é claro: a América Latina virou laboratório de poder bruto, discurso de extrema direita e diplomacia por intimidação. Não se trata de Maduro, Petro ou Cuba. Trata-se de um presidente americano que voltou a tratar a região como zona de influência exclusiva, onde soberania é detalhe e submissão, pré-requisito.

A história ensina que isso costuma acabar mal. Trump, como sempre, aposta que desta vez será diferente.

A  América Latina virou laboratório de poder bruto e discurso de extrema direita (Foto: Wiki)
A América Latina virou laboratório de poder bruto e discurso de extrema direita (Foto: Wiki)

Maduro cai sem saudade, Trump sequestra com aplausos e a Doutrina Donroe oficializa que a América Latina voltou a ser quintal

Eddie Murphy, Clint Eastwood, um tapinha no ombro e o Oscar que ninguém quer perder com dignidade

06 de janeiro de 2001, quando a democracia americana tropeçou em chapéus vermelhos

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