Café, Odisseia, OpenAI…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Irmãos Batista descobrem que o mapa do mundo também é um balanço patrimonial: da carne ao átomo, das terras raras ao Salão Oval, o capitalismo brasileiro aprende geopolítica na marra
Durante décadas, Joesley e Wesley Batista escreveram sua história em linhas retas, bovinas e previsíveis. Gado entra, gado sai, lucro sobe. Mas o gigantismo cobra seu preço: chega uma hora em que o frigorífico vira pequeno demais para a ambição. Vieram energia, celulose, banco, nuclear — e agora, minerais críticos, o Santo Graal do século XXI. A interlocução direta com Trump e Lula não é coincidência, é ativo estratégico. Não se cruza a porta da Casa Branca para discutir preço de picanha. Terras raras, sim. Energia nuclear, sim. Transição energética, claro. O Brasil vira o intermediário improvável entre a fome chinesa e a ansiedade industrial americana. A J&F costura onde Estados não podem aparecer, terceirizando a diplomacia ao CNPJ. Tudo muito elegante, tudo muito discreto. Enquanto isso, o país aplaude. Afinal, quem precisa de política industrial quando se tem irmãos Batista?
23 de dezembro de 1888: quando Van Gogh corta a própria orelha e inaugura, sem saber, a estética definitiva do artista incompreendido e do gênio que sangra
Van Gogh corta a orelha e entra definitivamente para o folclore da genialidade autodestrutiva. Não foi performance, não foi marketing, não foi NFT. Foi dor real, psíquica e física. A arte moderna nasce ali, ensanguentada, longe do conforto burguês que mais tarde a transformaria em pôster caro. O gesto vira símbolo: o artista que se mutila porque o mundo não o escuta. Entregar a orelha a uma prostituta não é detalhe escabroso: é metáfora perfeita de um tempo que paga mal seus criadores e só reconhece valor depois da morte. Hoje, Van Gogh renderia documentário, série, podcast e camiseta. Em vida, rendeu miséria. A história da arte é um açougue seletivo.
OpenAI entra em código vermelho, Sam Altman fecha portas internas e descobre que na corrida da Inteligência Artificial não existe zona de conforto, só atraso
Código vermelho não é metáfora: é pânico elegante. A OpenAI pausa projetos, reorganiza tropas e corre atrás do Gemini, do Claude e da própria sombra. Altman promete modelo novo, mais rápido, mais esperto, mais tudo. A disputa virou maratona de silício, bilhões em data centers e fé na Nvidia. Diferente do Google, a OpenAI precisa pedir dinheiro emprestado para continuar sonhando. Liderar a IA custa caro e não aceita boleto atrasado. Com 800 milhões de usuários semanais, o ChatGPT respira. Mas no Vale do Silício, respirar não basta: é preciso correr sem tropeçar.

Christopher Nolan decide adaptar Homero com orçamento de império e elenco de Olimpíada: quando a Odisseia vira blockbuster IMAX e o mito ganha trilha sonora ensurdecedora
Nolan resolve adaptar Homero como quem constrói uma catedral: caro, grandioso e barulhento. US$ 250 milhões depois, a Odisseia promete ser menos poema e mais teste de subwoofer. Matt Damon sofre, Anne Hathaway espera, Tom Holland amadurece — e o público assiste tentando não piscar. O épico vira franquia potencial. Deuses, monstros e dilemas existenciais agora vêm com IMAX, drones e marketing global. Homero talvez estranhasse, mas provavelmente entenderia: contar histórias sempre foi sobre dominar a atenção. A pergunta não é se será bom. É se ainda haverá silêncio suficiente para ouvir o canto das sereias.
Café segue caro, vira fake, mistura milho e ansiedade nacional: o país que acorda com cafeína aprende que nem todo amargo vem do grão
O café dispara, o bolso sofre e o brasileiro descobre que até o cafezinho virou artigo de luxo emocional. Surge o café fake: palha, casca, cevada e criatividade regulatória. O clima melhora, mas a memória da seca não evapora. A lavoura é bienal, o consumo é diário e a paciência, inexistente. Robusta entra no jogo como coadjuvante resistente, enquanto o arábica segue nobre, sensível e caro. Blends salvam margens, não tradições. No fim, o café ensina sua lição clássica: nada é tão brasileiro quanto reclamar do preço enquanto passa outro coador.

Lula cobra coragem da Europa enquanto o Mercosul envelhece na sala de espera: 26 anos negociando, discursos repetidos e agricultores franceses em pânico
Lula pede coragem, a Europa pede tempo e o Mercosul segue esperando desde o século passado. O acordo vira promessa eterna, sempre prestes a acontecer. França e Itália temem carne barata; Alemanha sonha com carros caros. A diplomacia gira em torno de vacas, tratores e urnas eleitorais. Milei aproveita para criticar tudo: burocracia, ineficiência, ausência de mercado comum. Está errado? Não totalmente. Está exagerando? Sempre. Enquanto isso, o Mercosul flerta com Canadá, Índia e Emirados. Porque quem espera demais acaba aprendendo a paquerar outros blocos.
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dezembro 30, 2025
Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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