Carlo Acutis, Pix, AOL…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Gilmar Mendes prevê altivez eterna, Centrão prevê 300 votos e Arthur Lira prevê anistia: o Brasil é uma peça em cartaz sem fim e sem bilhete de saída
O ministro Gilmar Mendes, em performance ítalo-brasileira na Suprema Corte di Cassazione, recitou que “a responsabilização dos envolvidos é fundamental para que nada parecido se repita”. O detalhe: a plateia já cochichava sobre a anistia que, mesmo negada em público, respira nos corredores de Brasília com planilhas afiadas em 300 votos. É a mágica da política brasileira: enquanto o Supremo exala altivez, o Centrão contabiliza aritmética de feira livre. A visita de Arthur Lira a Bolsonaro funcionou como a senha secreta do próximo ato — porque, claro, não existe conspiração sem café no Alvorada. Resumo da ópera: Gilmar aposta na morte da anistia “na praia”, mas a maré em Brasília é movida por interesse, e não por marés jurídicas. No fundo, todos sabem: o julgamento sai dia 12, mas a verdadeira sentença será dada no plenário da Câmara, com Hugo Motta sorrindo como se fosse dono de uma verdade eterna. No Brasil, golpe nunca é golpe — é ensaio para o próximo espetáculo.
Em 1997, a AOL comprava a CompuServe; em 2025, o brasileiro descobre que saudade é abrir a internet sem captcha, senha de dois fatores e limite de Pix
Exatos 28 anos atrás, a América Online engolia a CompuServe, prometendo o futuro da conectividade. O futuro chegou, mas o gosto é de passado requentado: internet lenta em 2025 não é por modem barulhento, mas por cabos cortados no Mar Vermelho e governos discutindo tarifas sobre o Pix. A AOL, que parecia eterna, virou peça de museu, lembrança de CDs com horas grátis e chat rooms pré-históricos. Hoje, resta apenas a sensação de que a internet se sofisticou para nos vigiar melhor. O Brasil se emociona com recordes no Pix, mas os EUA já enxergam “práticas desleais” — talvez porque não inventaram primeiro. No fim, a história se repete: corporações devoram corporações, governos acusam governos, e o usuário continua pagando caro para cair em site instável. CompuServe morreu cedo, AOL virou fantasma, e nós, millennials cansados, continuamos clicando em “Aceitar cookies” como se fosse prece matinal.
Flávio Bolsonaro veste camiseta 2026, chama Moraes de psicopata e inventa a categoria “anistia imediata”: Copacabana vira plenário paralelo do STF
Na orla de Copacabana, Flávio Bolsonaro decidiu que toga é fantasia e julgamento é “farsa”. Atacou Moraes como “ditador” e, numa pitada de psicanálise de botequim, diagnosticou o ministro como portador de “traços de psicopatia”. Tudo embalado ao som de Tropa de Elite, porque o bolsonarismo nunca perde a chance de transformar a democracia em trilha sonora de filme de ação. A palavra-chave do ato foi “anistia”, mas com upgrade semântico: ampla, geral, irrestrita e — novidade do cardápio — imediata. Hugo Motta, citado nas entrelinhas, virou o fiel da balança de um teatro em que a plateia pede Bolsonaro 2026 em camiseta, mas o roteiro jurídico é de inelegibilidade. A Débora do Batom virou símbolo involuntário: se ela não pode ser perdoada, como perdoar o ex-presidente? Entre ironias e faixas, Copacabana encenou o desejo de transformar golpe em esquecimento, como se a democracia fosse apenas um detalhe entre o pôr do sol e aplaudir o mar.
Carlo Acutis, o santo millennial de tênis e jeans, vira padroeiro da internet: Vaticano oficializa que até Deus precisa de um servidor em nuvem
O Vaticano canonizou Carlo Acutis, morto aos 15 anos, e agora oficialmente patrono digital das almas perdidas no Wi-Fi. Chamado de “santo millennial”, ele evangelizava via sites caseiros, provando que até no tempo do MSN já existia fé com login e senha. Sua canonização inaugura um capítulo curioso: fiéis poderão rezar por conexões estáveis e talvez menos quedas em reuniões do Zoom. O Papa Leão XIV consagrou-o com a solenidade usual, mas o verniz cultural é nítido: a Igreja descobriu que precisa falar a língua dos jovens antes que eles rezem apenas para o algoritmo do TikTok. Na tumba de Acutis, estátua de cera com tênis e jeans: a iconografia do século XXI substituindo mantos e auréolas. É o primeiro santo que poderia, sem constrangimento, ter playlist no Spotify. Agora, resta saber se os milagres incluirão restaurar senhas esquecidas e evitar que o inferno seja aquele aviso eterno: “Sua conexão caiu”.

Pix atinge 290 milhões de transações em um único dia; EUA investigam se milagre brasileiro não fere as leis sagradas do livre mercado made in Silicon Valley
O Banco Central comemora: 290 milhões de operações em 24 horas, R$ 164,8 bilhões circulando como se fossem balas em festa infantil. Mas, do outro lado, o governo dos EUA abre investigação contra o Pix, acusando o Brasil de práticas desleais. A tradução livre é: se o produto não é nosso, deve ser ilegal. Google, Apple e Meta, que tentam vender suas carteirinhas digitais de luxo, olham para o Pix como criança com inveja do brinquedo alheio. O FMI e a OCDE aplaudem o sistema como exemplo de inclusão financeira, mas Washington não gosta de concorrência sem royalties. O BC, para não perder o compasso, anuncia novas regras de segurança, porque até milagre nacional tem fraude embutida. O povo segue feliz: basta um QR code para comprar pastel na feira ou fechar negócio milionário. A piada é que, em Brasília, a anistia circula com a mesma rapidez do Pix — só que não passa pelo BC.
Houthis cortam cabos submarinos e metade da Ásia entra em buffering eterno: a guerra moderna se trava não com tanques, mas com “404 – Page Not Found”
No Mar Vermelho, cabos submarinos foram cortados, e a internet de países da Ásia e Oriente Médio mergulhou em 1997 sem direito a nostalgia. O grupo houthi é suspeito: cortar cabo é mais barato que disparar mísseis e causa o mesmo caos — porque no século XXI, ficar sem internet é quase agressão nuclear. Operadoras como Tata Communications e Alcatel-Lucent confirmaram o estrago, mas governos preferem o silêncio, talvez porque admitir vulnerabilidade tecnológica é tão embaraçoso quanto perder senha do e-mail oficial. Israel acusa, Irã sorri de canto de boca, e os houthis celebram em canal próprio. A ironia: rebeldes que não são reconhecidos pela comunidade internacional conseguem paralisar a comunidade digital mundial. Enquanto isso, usuários de Dubai a Karachi veem a roleta girar no navegador, provando que nossa civilização não cai com bombas, mas com “tempo de conexão expirado”. É a guerra high-tech traduzida em lentidão de vídeo do YouTube.

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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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