Sua Página
Fullscreen

Enel, Saddam, supersalários…

Anúncios
Compartilhe este conteúdo com seus amigos. Desde já obrigado!

Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Quando Charlie Puth vira vizinho de foguete e Elon Musk vira síndico intergaláctico relapso

Charlie Puth, cantor, melodista e homem de tímpano sensível, mandou um apelo público a Elon Musk: “Oi, @elonmusk…” — a saudação universal de quem já desistiu do SAC e decidiu acionar o dono da espaçonave. A SpaceX resolveu lançar seu Falcon 9 às 3h40 da manhã em Santa Bárbara, horário estratégico para assustar grávidas, abalar janelas e testar os limites do bom senso. Puth alega ter ouvido algo como 150-160 decibéis, nível que faria um trovão pedir desculpas por exagero. Musk, até agora, mantém seu silêncio místico — talvez meditando na cratera de Marte ou apenas ignorando o problema porque, afinal, quem se importa com sono humano quando há órbitas para conquistar? Puth, que vai cantar o hino no Super Bowl de 2026, deve estar ensaiando entre um estrondo e outro, torcendo para que o bebê herdado não confunda batida musical com teste de vibração aeroespacial. Enquanto isso, a SpaceX avisa que “poderia haver estrondos sônicos”, como quem avisa que o vizinho pode ouvir sua furadeira às 3h: “depende do clima”. O clima — e da boa vontade do multibilionário.

Zelensky acena com referendo, a Europa congela, Trump pressiona e Moscou sorri pelo canto da boca

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, admitiu a possibilidade de um referendo sobre cessão territorial — gesto tão chocante quanto um papa ponderar vender a Capela Sistina. É a primeira vez que ele abre essa porta, ainda que a Constituição ucraniana não permita a entrega de terras. A Europa tenta reescrever o plano de paz americano para remover o viés pró-Rússia, enquanto Trump — agora de volta à Casa Branca e em sua fase “resolver guerras até o Natal” — pressiona por pressa, ignorando que diplomacia tem prazo, mas não relógio. A Alemanha diz que o documento menciona concessões; Zelensky admite discussões; Moscou certamente celebra a simples ideia de que o assunto entrou no cardápio. O novo plano prevê 800 mil soldados ucranianos e a retirada russa de três regiões. O problema é que guerra não segue roteiro, e referendos raramente resolvem disputas territoriais. Mas para um Ocidente cansado, uma Ucrânia exaurida e um Trump apressado, qualquer solução começa a parecer tentadora — mesmo que ninguém saiba como terminará.

O ciclone que saiu de São Paulo, pousou no Ceará e virou moeda de troca regulatória digna de tragédia grega em promoção

O ciclone que derrubou postes em São Paulo — e a paciência dos paulistanos — atravessou o mapa político com a eficiência de uma ventania mal-humorada e foi “atingir” o Ceará, ao menos na cartografia sentimental da Aneel. Enel São Paulo cai, Enel Ceará balança. É o novo teorema brasileiro da Física Reguladora, versão 2025: empresas distintas, castigo único. Parlamentares cearenses, farejando o momento, já tratam a renovação de concessão como quem negocia preço de camarão na feira: só leva se vier com um “expressivo plano de investimentos”, de preferência embrulhado para presente de fim de ano. E dentro da Aneel, o clima? Hostilidade operística: tenores em guerra com barítonos italianos. Na última reunião, três distribuidoras ganharam renovação; a quarta — claro, a Enel Ceará — foi posta no banquinho do castigo. E o relator Fernando Mosna já deixou claro que não dará bombom para romano choroso. Resultado: a crise paulista virou chantagem nordestina, o Brasil virou um tabuleiro renascentista e a Enel continua colecionando má vontade como quem coleciona multas de trânsito num fim de mês chuvoso.

A Enel São Paulo cai, a Enel Ceará balança. É o novo teorema brasileiro da Física (Foto: Wiki)
A Enel São Paulo cai, a Enel Ceará balança. É o novo teorema brasileiro da Física (Foto: Wiki)

Saddam Hussein: 13 de dezembro de 2003, o dia em que o esconderijo virou manchete

Há 22 anos, em 13 de dezembro de 2003, Saddam Hussein foi capturado, encerrando uma das caçadas mais televisivas do início do século. Encontrado num buraco — metáfora conveniente demais para passar despercebida — o ex-ditador foi exibido ao mundo como troféu de política externa. Era o auge de uma era em que se acreditava que capturar um homem resolveria uma guerra, estabilizaria um país e justificaria uma invasão. Spoiler histórico: não resolveu. A captura virou símbolo do triunfo momentâneo, mas também do enorme equívoco geopolítico que já se desenhava. Saddam caiu; o caos ficou. E as lições passaram direto, como sempre.

Leia ou ouça também:  Vipshop, Lulinha, Cálice...

Os supersalários do MP-RJ que fariam um sheik corar e um economista chorar

Entre os 20 maiores salários pagos a servidores públicos no país, 15 pertencem ao Ministério Público do Rio — aquele estado onde o sol nasce quadrado para uns e em cifrões para outros. A pesquisa de Sérgio Guedes dos Reis revela um bestiário de remunerações que vão de R$ 2,8 milhões a R$ 5,9 milhões no período analisado. É praticamente a Mega-Sena acumulada, mas sem o suspense do sorteio. Enquanto o Brasil inteiro gastou R$ 20 bilhões em supersalários, o MP-RJ se consolida como a Disneylândia do contracheque. O mais curioso? Ainda há quem ache que o problema da República são os influencers de biquíni ou um deputado tagarela no Instagram. Não: o problema é o teto — e não o constitucional. Esse já virou claraboia de catedral gótica: sempre há como subir um pouco mais, basta criatividade contábil, penduricalhos e a tradição nacional de chamar de “indenização” o que o resto do planeta chamaria de salário turbinado. E ainda dizem que o brasileiro não valoriza a ciência: a engenharia financeira desses vencimentos deveria ganhar Nobel.

PF mira assessora de Lira e Brasília desperta com cheiro de emenda queimada

A PF deflagrou a Operação Transparência — nome escolhido com o tipo de ironia involuntária que Brasília aprecia — para investigar irregularidades na destinação de verbas de emendas parlamentares. O alvo: Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, cujas salas na Câmara e residência em Brasília foram vasculhadas. Lira, oficialmente, não é alvo; extraoficialmente, sua sombra paira sobre tudo, como sempre. Em jogo estão suspeitas de peculato, falsidade ideológica, documentos falsos e corrupção — o bingo tradicional da política nacional. Um celular foi apreendido, objeto hoje mais temido do que algema. Mariângela ocupa cargo de confiança com salário de R$ 23,7 mil, mas o que se investiga é o fluxo de milhões em emendas de comissão. A Operação Transparência, ironicamente, deixa claro apenas uma coisa: quando o assunto é verba pública, Brasília nunca dorme — mas sempre sonha grande.

Quando Charlie Puth vira vizinho de foguete

Zelensky acena com referendo

O ciclone que saiu de São Paulo, pousou no Ceará

Saddam Hussein: 13 de dezembro de 2003

Os supersalários do MP-RJ

PF mira assessora de Lira e Brasília

Última atualização da matéria foi há 2 meses


Compartilhe este conteúdo com seus amigos. Desde já obrigado!

Facebook Comments

Anúncios
Acessar o conteúdo
Verified by MonsterInsights