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GLP-1, Estêvão I, Lula…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Eduardo Bolsonaro é cassado, mas o mandato segue firme, flutuando em estado ectoplásmico: José Olímpio assume como ventríloquo parlamentar do “03” e a democracia entra em modo dublagem

Eduardo Bolsonaro perde oficialmente o mandato, mas mantém algo ainda mais valioso: a influência informal, o telefone quente e, segundo línguas pouco caridosas, até os “direitos econômicos” do cargo. No lugar dele, entra José Olímpio, missionário, político reciclável e figura tão autônoma quanto um boneco de posto em frente a concessionária. Na Câmara, ninguém duvida: Olímpio não legisla, reproduz. Sua carreira é um álbum de figurinhas do varejo político municipal, sempre colado ao poder da vez. Conservador radical, evangélico de carteirinha e autor de projetos dignos de manual antiglobalista dos anos 1990, como o combate preventivo a chips satânicos implantáveis, ele reúne todos os atributos para servir fielmente ao clã. No PL, até a ala menos inflamada prefere fingir que ele não existe como parlamentar — apenas como interface. A cassação, no fim, parece ter sido apenas um ajuste burocrático: muda o CPF na placa, mas o controle remoto continua o mesmo.

Café, telômeros e saúde mental: a ciência descobre que três xícaras por dia talvez envelheçam menos que o próprio noticiário

Pesquisadores do King’s College London entregaram uma boa notícia num mundo em colapso: até quatro xícaras de café por dia podem estar associadas a telômeros mais longos em pessoas com doenças mentais graves. Traduzindo: um pouco menos de envelhecimento celular num grupo que costuma envelhecer rápido demais. O milagre, porém, é laico e moderado — passou de quatro xícaras, o efeito evapora e o estresse celular volta com força. Nada de café como panaceia, nem como vilão absoluto. A bebida entra, enfim, na categoria das coisas humanas: depende da dose, do contexto e da expectativa. O estudo não prova causalidade, apenas sugere que antioxidantes ajudam num cenário de inflamação constante. Para quem convive com esquizofrenia, bipolaridade ou depressão psicótica, qualquer ganho simbólico já é relevante. No fim, o café segue fazendo o que sempre fez: não resolve a vida, mas ajuda a suportá-la.

As canetas da obesidade prometem muito, vendem esperança e faturam bilhões, mas seguem incapazes de substituir disciplina, contexto social e o velho confronto com o próprio prato

Os agonistas de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade, mas não aboliram a biologia nem a realidade social. Especialistas são unânimes: não existe Santo Graal farmacológico. As canetas ajudam — e muito —, mas não fazem milagres duradouros sem mudança de comportamento. O mercado cresce em ritmo de euforia, com projeções trilionárias e mais de cem estudos em andamento, enquanto versões orais já rondam as agências reguladoras. Ainda assim, o efeito ioiô espreita quem abandona o tratamento achando que venceu a doença. Há riscos, efeitos colaterais, perda de massa magra e, sobretudo, custo elevado. Num país onde até comer bem é privilégio, imaginar solução exclusivamente medicamentosa beira a fantasia. Como resumiu um especialista: não há remédio que sobreviva a um cotidiano engordativo. A caneta pode ajudar a escrever a história — mas não escreve sozinha.

Canetas ajudam — muito —, mas não fazem milagres duradouros sem mudança (Foto: Wiki)
Canetas ajudam — muito —, mas não fazem milagres duradouros sem mudança (Foto: Wiki)

Lula reconhece a cultura gospel como patrimônio nacional e tenta converter desaprovação evangélica em capital político: quando o Estado laico afina o violão

Pressionado por números nada celestiais entre evangélicos, Lula decidiu que era hora de transformar louvor em política pública. O decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação nacional vem com discurso de acolhimento, respeito e justiça histórica — e com cálculo eleitoral embutido. Diante de uma desaprovação que já bate 64% nesse segmento, o Planalto acena com simbologia, institucionalidade e fotos no Palácio. A cultura gospel, agora oficialmente cultura, ganha lugar nos mecanismos de preservação, financiamento e reconhecimento estatal. Nada ilegal, tudo estratégico. Em 2022, foi carta prometendo não fechar igrejas; em 2025, é decreto celebrando o louvor. O Estado continua laico, mas afinado em dó maior. A presença de ministros, senadores evangélicos e até um AGU que frequenta culto mostra que o gesto é coletivo e pensado. Resta saber se o eleitorado trocará o voto pela playlist — ou se seguirá desconfiando de conversões tardias.

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No Natal do ano 1000, Estêvão I funda a Hungria, é coroado santo e prova que o milênio virou com mais organização política do que certas repúblicas modernas

Enquanto hoje o Natal é dominado por rabanadas e tretas familiares, no ano 1000 ele serviu para fundar um reino. Estêvão I, com apoio papal e senso estratégico raro, transformou tribos dispersas num Estado cristão centralizado, inaugurando a Hungria como entidade política durável — algo que muitos países atuais ainda ensaiam. A data não foi acidental: o simbolismo religioso deu verniz divino a um projeto de poder bem terreno. Estêvão organizou leis, Igreja, impostos e sucessão, tudo embalado num pacote de fé e espada. Virou santo depois, claro, porque governar com eficiência costuma render canonização retroativa. Mil anos depois, a Hungria segue existindo, o que já é um feito notável num continente especialista em autodestruição cíclica. Moral da história: houve um tempo em que o Natal fundava países; hoje, no máximo, funda fake news em grupo de família.

Depois de um 2025 ruidoso, Planalto decide baixar o volume institucional e ensaia reconciliação com Câmara e Senado para atravessar 2026 sem gritaria

O Governo Lula parece ter aprendido, ainda que a contragosto, que governar em guerra permanente com o Congresso cobra juros altos. Para 2026, a ordem é reduzir ruído, reatar laços e trocar enfrentamento por afagos estratégicos. Acenos às cúpulas da Câmara e do Senado já estão em curso, numa diplomacia silenciosa que mistura cargos, agendas e palavras gentis. Não se trata de amor, mas de sobrevivência política. Depois de um ano de divergências públicas, vetos ruidosos e recados atravessados, o Planalto tenta reconstruir pontes antes que o calendário eleitoral transforme tudo em trincheira. A meta é simples: menos crise fabricada, mais previsibilidade institucional. Se vai funcionar, ninguém sabe. Mas, no Natal da política, até o cinismo aceita um cessar-fogo temporário.

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