Mangione foi salvo pelo gongo judicial…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 4 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 20 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Pedro Daniel entra no Atlético-MG como CEO, mas encontra um banco de reservas lotado de credores: quando o Galo descobre que alavancagem não é musculação e dívida não canta hino
Pedro Daniel assumiu a SAF do Atlético-MG com a empolgação de quem herda um castelo — e a conta de luz de Versalhes. Do outro lado do campo não há zagueiros, mas bancos, fundos e credores com planilhas afiadas e paciência curta. A estratégia inicial do novo CEO não envolve triangulações ofensivas, e sim peregrinação financeira: visitas quase franciscanas às instituições bancárias, pedindo deságio como quem pede água no deserto. Entre os “adversários” mais parrudos está o BTG, credor de cerca de R$ 200 milhões. Um clássico moderno: banco versus clube, juros compostos contra paixão popular. O passivo total já ultrapassa os R$ 2 bilhões — quatro vezes a receita. No dialeto dos financistas, isso não é ousadia, é imprudência com certificado.
Especialistas que já folhearam os balanços do Galo dizem, sem ironia, que se fosse uma empresa comum já estaria em recuperação judicial, com covenants estourados, garantias executadas e portas lacradas. O futebol, mais uma vez, funciona como zona autônoma temporária do capitalismo: onde o prejuízo é tradição e a fé substitui o fluxo de caixa.
A situação só não degringola de vez porque Rubem Menin apareceu com mais um aporte salvador. Um mecenas moderno, meio banqueiro, meio bombeiro, tentando apagar incêndios que viraram parte da arquitetura. Sem repactuação séria, o Atlético caminha para um modelo inédito: clube grande, torcida gigante e insolvência estrutural. Um Galo que canta alto, mas deve até o milho.
Simone Tebet arruma as gavetas do Planejamento para tentar o Senado: quando a política chama e a tecnocracia pede licença
Simone Tebet anunciou que deixará o Ministério do Planejamento até 30 de março para disputar as eleições. Lula sinalizou apoio e deixou claro que a vê como peça importante no tabuleiro eleitoral. Nada de imposição, segundo ela — apenas aquele convite presidencial que, na prática, é quase uma convocação.
Tebet carrega um capital político peculiar: foi terceira colocada em 2022, apoiou Lula no segundo turno e virou símbolo de uma ponte possível entre centro e governo. Agora, o Senado surge como destino natural para quem quer influência, longe da moagem diária do Executivo.
A ministra não descarta São Paulo como domicílio eleitoral — o que, no Brasil, virou esporte de alto rendimento. Haddad e Alckmin aparecem como pesos-pesados no radar, mas nada está fechado. Como sempre, a política brasileira decide tudo no limite do prazo — de preferência depois do Carnaval.
Brexit sai oficialmente do papel em 31 de janeiro de 2020 — e não de 2019: quando o Reino Unido descobriu que soberania não paga conta nem devolve empregos
Em 31 de janeiro de 2020 — não de 2019, embora o Brexit tenha mesmo algo de Idade das Trevas — o Reino Unido saiu formalmente da União Europeia. Foi o fim de um casamento longo, burocrático e mal resolvido, selado por uma campanha emocionalmente carregada e economicamente nebulosa.
A promessa era simples: retomar o controle. O resultado foi mais complexo: menos mercado, mais fronteira, mais papelada e uma economia permanentemente em modo de ajuste. Londres seguiu poderosa, mas o país como um todo descobriu que sair do bloco não significava entrar automaticamente num paraíso soberano.
O Brexit virou um estudo de caso sobre nostalgia política: vender o passado como futuro. A União Europeia perdeu um membro relevante; o Reino Unido perdeu a ilusão de que bastava “querer” para voltar a ser o que foi. Soberania, no século XXI, custa caro — e raramente vem com desconto.

Luigi Mangione escapa da pena de morte, mas não do simbolismo: quando a Justiça americana mostra que matar um CEO é crime, mas o contexto também pesa
Na sexta-feira (30), em Manhattan, Luigi Mangione entrou no tribunal federal de Nova York com uma perspectiva sombria: a possibilidade real de pena de morte. Saiu com uma notícia menos terminal, porém longe de ser boa. A juíza Margaret Garnett arquivou duas acusações, inclusive a de homicídio com uso de arma de fogo — aquela que poderia levá-lo ao corredor da morte. O caso segue espinhoso. Mangione responde por acusações federais e estaduais pelo assassinato de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare. A defesa conseguiu um ponto técnico crucial: convencer o tribunal de que as acusações de perseguição não atendiam aos critérios legais de “crime violento”. Garnett concordou. Técnica jurídica vence o espetáculo punitivo.
Restaram apenas duas acusações federais de perseguição. Nada trivial: Mangione ainda pode passar o resto da vida na prisão, sem liberdade condicional. A diferença é simbólica e política. A Justiça sinaliza que nem todo homicídio precisa ser tratado como espetáculo exemplar, mesmo quando a vítima é um executivo bilionário da saúde privada.
O caso escancara um desconforto moderno: quando violência, desigualdade, sistema de saúde corporativo e justiça penal se cruzam, o tribunal vira arena moral. Mangione não virou mártir, mas também não foi transformado em bode expiatório. Nos EUA de hoje, isso já é uma anomalia digna de nota.

RedeTV e a novela da arrelia feminina...
janeiro 20, 2026Bolsonaro está na suíte e reclama...
janeiro 17, 2026Ousadias e polêmicas de Nelson Tanure...
janeiro 15, 2026Globo de Ouro é mais cash e menos arte...
janeiro 13, 2026Falas teocráticas não baixam preço do pão...
janeiro 10, 2026Michael Jackson, o morto mais lucrativo...
janeiro 8, 2026América Latina virou menu degustação...
janeiro 6, 2026Gelsenkirchen é a nova Hollywood...
janeiro 3, 2026Autonomia do BC é um fetiche institucional...
janeiro 1, 2026Drake virou trilha sonora de ceia global...
dezembro 30, 2025Espanha, RedeTV!, PL...
dezembro 27, 2025GLP-1, Estêvão I, Lula...
dezembro 25, 2025
Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




Facebook Comments