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Oxxo, Tiananmen, “Lilo & Stitch”…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Oxxo no Brasil: da empolgação à implosão

A rede de mercados Oxxo, que pipocou em São Paulo como promessa de varejo ágil e cosmopolita, está derretendo feito sorvete no asfalto da Marginal. São mais de 660 lojas e um prejuízo de R$ 406 milhões. A Raízen, sócia da Femsa no grupo Nós, já decidiu pular fora — quer se livrar dos 50% que tem. A Femsa, dona da marca e da encrenca, ainda procura uma saída com um mínimo de dignidade: vender o controle ou licenciar a operação para um master franqueado maluco o suficiente. Em quatro anos, a coisa virou uma máquina de triturar capital. Mais de R$ 150 milhões foram injetados recentemente só para tapar buraco. O brasileiro gosta de mercadinho de esquina, mas parece que não com sotaque mexicano e ênfase em margens negativas. O modelo não se pagou, os custos explodiram e a gestão parece mais perdida que cliente tentando usar QR code no caixa. Oxxo? Ouch!

A conta de luz vai brilhar no vermelho em junho

Prepare o bolso e acenda as velas: a ANEEL anunciou que a bandeira tarifária de junho será vermelha patamar 1. Isso significa que, para cada 100 kWh, mais R$ 4,46 pingarão em sua conta de energia. Motivo? A estiagem apertou, os reservatórios secaram, e as usinas térmicas — caras e poluentes — entraram em cena. Maio já havia sido agraciado com a bandeira amarela, e agora a escalada continua. O brasileiro, que já paga uma das tarifas mais altas do planeta, vai ganhar de brinde um pequeno banho de realidade. Enquanto isso, o discurso sobre transição energética sustentável se desfaz sob o peso da chuva que não vem e da conta que não fecha. Já virou tradição: no país do sol escaldante e das águas abundantes, falta luz e sobra tarifa. E o consumidor, claro, paga por tudo — menos pelos erros de planejamento.

Brasileiro não pede aumento — e quando pede, ouve ‘não’

O brasileiro continua sendo o funcionário dos sonhos do RH: não reclama, não pede aumento, e quando pede, aceita o “infelizmente não será possível” com um sorriso. Segundo o estudo Talent Trends da Michael Page, 65% dos profissionais do Brasil sequer tentaram negociar salário no último ano. Dos que tentaram, só 11% conseguiram. Para comparação: a média global de sucesso é 21%, quase o dobro. O resultado é previsível: desvalorização contínua, fuga de talentos e a consolidação do país como o paraíso da estagnação remuneratória. A cultura de não confrontar o chefe, somada ao medo de perder o emprego, ajuda a manter a força de trabalho calada e barata. Enquanto isso, o custo de vida sobe, a energia encarece (vide bandeira vermelha) e o brasileiro continua perguntando: “Onde é que eu assino?” — mesmo sem ler o contrato.

“Lilo & Stitch” dá aula de bilheteria e nostalgia

A nova geração da Disney acertou em cheio no coração (e no bolso) do público: o remake live-action de “Lilo & Stitch” já arrecadou US$ 610 milhões em apenas duas semanas. Só nos EUA, são US$ 280 milhões, sendo US$ 63 milhões só no último fim de semana. E pensar que a ideia de fazer o Stitch parecer menos assustador gerou polêmica na internet. A verdade é que o filme surfou bem a onda da nostalgia dos millennials e entregou um produto que agrada tanto os novos quanto os velhos fãs. Em tempos em que os cinemas andavam sofrendo para atrair multidões, essa produção mostrou que ainda há fôlego para grandes sucessos fora do universo de super-heróis. A Disney respira aliviada — e os acionistas também. Agora resta saber: quem será o próximo desenho a virar carne e osso? Apostas abertas para “Hércules musculoso da Shopee”.

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Recordar é Viver: 36 anos do massacre que a China apaga da história

No dia 3 de junho de 1989, o Exército chinês entrou com tanques na Praça da Paz Celestial para esmagar a manifestação estudantil por democracia. O mundo viu as imagens do “homem do tanque” desarmado encarando a brutalidade estatal, mas na China de hoje, esse episódio praticamente não existe. O regime segue firme no controle da narrativa, censurando qualquer menção ao massacre de Tiananmen. Internet, livros, museus: tudo apagado ou distorcido. Quem fala demais é preso; quem lembra, some. O governo chinês continua tratando o ato repressivo como “necessário para estabilidade nacional”. Trinta e seis anos depois, a repressão virou política oficial — digitalizada, tecnologicamente avançada, mas com o mesmo DNA autoritário. O Ocidente, por sua vez, lucra com a fábrica mundial e finge não ver. E a paz celestial? Só no nome da praça.

O Massacre na Praça da Paz Celestial é totalmente esquecido na China (Foto: Wiki)
O Massacre na Praça da Paz Celestial é totalmente esquecido na China (Foto: Wiki)

Mensalão, 20 anos depois: o escândalo que o PT finge que não existiu

Duas décadas se passaram desde o escândalo do mensalão, e o PT segue na linha de recontar a história como quem esquece convenientemente os capítulos mais constrangedores. Em 2005, Roberto Jefferson, acuado por denúncias nos Correios, atirou para todos os lados e acertou o coração do Governo Lula, revelando que deputados da base recebiam mesadas mensais — o famoso “mensalão”. A nata petista foi parar no banco dos réus: José Dirceu, Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha… Só escapou Silvio Pereira, num acordo de prestação de serviços, talvez entregando panfletos sobre ética. O episódio dos “dólares na cueca” virou símbolo do vexame, mas hoje no PT, reina o discurso do “fomos injustiçados”. Tarso Genro, que assumiu o partido no meio do incêndio, rejeita qualquer autocrítica: a Justiça já fez isso por eles. Lula, em pronunciamento dramático, disse sentir-se “traído” — e escapou do impeachment com habilidade de contorcionista. Delúbio, por sua vez, chamou de “recursos não contabilizados” o que o resto do país conhecia por caixa dois. Hoje, o mensalão é tratado com silêncio seletivo. Afinal, para que lembrar da sujeira se dá pra fingir que foi só um mal-entendido?

Oxxo no Brasil

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Última atualização da matéria foi há 7 meses


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