Cardi B, Oruam, Alcolumbre…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Alcolumbre e a Funcef: quando um fundo de pensão vira brinquedo político em Brasília, e o brinquedo queima na mão de sindicalista
O Brasil segue firme em sua vocação para transformar qualquer estrutura técnico-financeira em extensão de palanque e moeda de troca política. Depois de rifar a Petros, o Governo mira agora a presidência da Funcef, onde Ricardo Pontes, apesar de ainda sentado na cadeira, já ouve os passos da degola caminhando no piso de granito do Planalto. Nos bastidores, os ecos são uníssonos: o cargo é a nova oferenda no altar de Davi Alcolumbre, senador licenciado e devoto do fisiologismo de resultados. Em 2023, o Governo já tentou entronizar Richard Back, chefe de gabinete de Padilha, na fundação, mas sindicalistas da Caixa chiaram. Agora, com Alcolumbre faminto e o Planalto disposto a agradar, parece que nem os gritos dos sindicatos serão ouvidos — especialmente se vierem em tom desafinado. A política de aparelhamento institucional atingiu um nível em que fundos de pensão se tornam feudos privados e alvos de consórcios parlamentares. Quem perde? O participante. Quem ganha? O jogo.

COP30 promete calor global com direito a tarifaço de Trump, chantagem climática e a volta do “Brasil protagonista” que só aparece quando o circo pega fogo
A COP30 já era prometida como um megaevento climático, mas agora, com Donald Trump botando fogo nas alfândegas do planeta, virou uma espécie de cúpula do fim do mundo com climatização instável. O multilateralismo morreu, Trump sapateia em seu túmulo e o Brasil, ironicamente, assume protagonismo na catástrofe. Com tarifas de 50% e um discurso que mistura protecionismo, populismo e pitadas de ameaça judicial transnacional — alô, STF —, Trump transformou o debate climático num balcão de chantagem internacional. A COP, que deveria falar de carbono e floresta, terá que lidar com tarifas, café, soja e o fantasma de Bolsonaro em sua versão réu-ilustre. O Planalto vê tudo isso como uma “janela de oportunidade”, expressão bonita que traduz “chance de fazer pose no palco global enquanto o mundo racha”. Geopolítica climática virou um samba de doido. E o Brasil, doido como é, vai querer puxar o enredo.
Cardi B joga microfone em fã em Las Vegas, microfone vira relíquia pop de 99 mil dólares e processo vira aula de performatividade contemporânea
Se você acha que jogaram água no chope da Cardi B, prepare-se para o banho de cinismo judicial que se segue. Em julho de 2023, num calor senegalesco de Las Vegas, Cardi pediu para os fãs a refrescarem com água. Uma moça obedeceu. Em troca, ganhou um microfone voando na testa — arremessado com fúria digna de arremesso olímpico. Agora, Jane Doe (nome fictício e poeticamente anônimo) processa a rapper por agressão, constrangimento e danos morais, além de exigir explicações sobre como um objeto voador não identificado se transformou num item de colecionador vendido por US$ 99 mil. Ah, o capitalismo do espetáculo. A mulher diz ter sido agredida e humilhada, mas o mundo aplaude a cantora e coleciona a arma do crime. O mesmo microfone já havia sido lançado em um DJ — também processável — o que torna tudo ainda mais performático. Em 2025, a verdadeira celebridade não é quem canta, mas quem vira item de leilão depois de bater na cara dos outros.
Declaração de Potsdam completa 80 anos: Truman, Churchill e Chiang tentam convencer o Japão a parar de brigar antes que o mundo fosse explodido por dois cogumelos
Há 80 anos, três senhores brancos decidiram como terminar uma guerra em que morreram milhões de não-brancos. Truman, Churchill e Chiang Kai-shek assinaram, em 26 de julho de 1945, a Declaração de Potsdam, oferecendo ao Japão uma rendição que soava mais como ultimato do que convite à paz. O documento, lido hoje, parece um roteiro de filme B com final anunciado: “rendam-se ou enfrentem destruição total”. Spoiler: o Japão não topou, e duas bombas atômicas depois, acabou aceitando. O espírito civilizatório europeu/americano tratou de aniquilar Hiroshima e Nagasaki sob o pretexto de preservar vidas — americanas, claro. A ironia histórica: o mundo ficou tão horrorizado com a guerra que decidiu construir mais armas nucleares, mais bases militares e mais declarações pomposas. Potsdam virou marco de civilidade — eufemismo para “foi aqui que a hipocrisia virou política externa oficial”.

Senadores democratas tentam ensinar diplomacia a Trump com carta preocupada, mas esquecem que o destinatário mal sabe ler, quanto mais negociar
Onze senadores democratas enviaram uma carta a Donald Trump — o presidente com alergia a textos com mais de dois parágrafos — protestando contra a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A ideia era alertar que taxar café e aço não vai salvar Bolsonaro do STF, nem garantir votos na Flórida. Com tom indignado e vocabulário acima do nível Fox News, os senadores lembram que o comércio com o Brasil sustenta 130 mil empregos nos EUA. Mas Trump, como sempre, lê os números de trás pra frente e acredita que o Brasil vai recuar porque ele latiu. A carta menciona o risco de aproximação do Brasil com a China, como se isso ainda fosse ameaça e não realidade consolidada. Ao fim, o documento parece mais um exercício de fé institucional do que um apelo prático. Tentar conter Trump com argumentos racionais é como discutir matemática com um galinho de briga: tudo termina em cacarejo.
Oruam é preso, classificado como perigoso, e o rap nacional entra de vez na fase “subgênero do crime” com direito a genealogia no Comando Vermelho
Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, rapper, filho de Marcinho VP, ícone do Comando Vermelho, foi preso e classificado como de “alta periculosidade” pelo sistema prisional do Rio. Seu prontuário mistura tráfico, ameaça, lesão e resistência — mais recheado que letra de rap dos anos 90. Oruam agora compartilha cela simbólica com MC Poze do Rodo, que por sua vez, já declarou amor ao CV ao entrar em Bangu. A cultura do crime virou herança, e o rap, seu testamento. As letras deixam de ser denúncia e viram currículo. A arte imita a vida, que imita a prisão, que imita o YouTube. Oruam pode virar mártir da cena ou mais um número em planilha do sistema carcerário. A pergunta incômoda permanece: até onde vai a estética da marginalidade quando ela se mistura com prática cotidiana do crime? E quando o artista é filho do chefe, é cultura ou continuação por outros meios?
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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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