Dia do Trabalho: muita espuma, pouco chope

Chegamos a mais um 1º de maio, Dia do Trabalho, data emblemática para lembrar as conquistas da classe trabalhadora e, sobretudo, para refletir sobre o que ainda falta conquistar. O que se vê é uma comemoração esvaziada de conteúdo, repleta de discursos reciclados e ações simbólicas que pouco tocam na realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte público lotado e termina o mês no limite — ou no vermelho.
Braços que exaurem,
silêncio nas oficinas —
só o relógio grita.
Enquanto sindicatos ligados ao governo organizam shows e sorteios, e autoridades desfilam em palanques com falas sobre “valorização do trabalhador”, milhões seguem sem reajuste digno, submetidos a jornadas exaustivas e empregos precários. O salário mínimo, reajustado neste ano para R$ 1.504, continua longe de garantir condições mínimas para uma família. A informalidade permanece alta — cerca de 39% da população economicamente ativa — e os contratos temporários e intermitentes tornaram-se regra, e não exceção, em muitos setores.
Apesar da retórica oficial de “pleno emprego” e “economia em recuperação”, o sentimento de insegurança domina. A rotatividade no mercado, aliada à pressão por produtividade, impõe um ritmo desumano em diversos segmentos. Há uma distância crescente entre o discurso institucional sobre o mundo do trabalho e o cotidiano de quem trabalha.
A tão falada “modernização trabalhista” trouxe mais benefícios ao capital do que ao trabalhador. A reforma de 2017, vendida como solução para aumentar a geração de empregos, apenas flexibilizou direitos sem garantir estabilidade. Os trabalhadores brasileiros ainda vivem sob o peso dessa reforma, sem que uma contrapartida social concreta tenha sido entregue.
Sol nasce em barracos,
um café, um novo dia —
esperança pulsa.
O Dia do Trabalho deveria ser um marco de luta e reflexão, não um ritual publicitário. É hora de reencontrar o sentido original da data, que nasceu da mobilização por melhores condições de vida. Sem isso, continuará sendo o que tem sido: um copo cheio de espuma, mas com cada vez menos chope.

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