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O que acontecerá com a Paramount?

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A Paramount, essa velha senhora do entretenimento global que já ditou rumos em Hollywood e colecionou legiões de fãs na TV paga, agora parece caminhar — sem muita cerimônia — para o seu próprio juízo final. Não um fim literal, claro, mas o fim de um modelo, de uma era, de um modo de existir que já não dialoga mais com o mundo. No Brasil, o anúncio de que todos os seus canais lineares sairão do ar no dia 31 de dezembro soa como o fechamento melancólico de uma emissora que passou décadas presente nos botões do controle remoto. MTV, Nickelodeon, Comedy Central — personagens fixos da cultura pop — serão desligados como luzes de uma sala cuja conta de energia ficou impagável.

Sim, trata-se de economia. E de estratégia. Mas também de sintoma: a TV por assinatura, cansada e com anemia de assinantes, não sustenta mais o peso de um conglomerado global que precisa correr atrás das gigantes do streaming. A Paramount, com queda de receita publicitária e custos regulatórios altos (o famigerado SeAC), decidiu fazer o que muita gente faz na crise: reduzir, cortar gastos, vender a mobília e sobreviver com o que ainda rende. Paramount+ e Pluto TV se tornam os dois últimos pulmões da empresa no Brasil — um pago, outro apoiado em anúncios, ambos correndo para respirar num mercado saturado.

“A Paramount está tentando evitar virar relicário. Encerra seus canais lineares porque sabe que o cabo e o satélite caminham para o museu. Aposta na Pluto TV porque o modelo FAST cresce feito mato. Investe no Paramount+ porque precisa de uma assinatura para chamar de sua.”

O streaming, que já foi promessa de ascensão, virou também a arena dos gladiadores tecnológicos, onde Netflix, Amazon, Apple, Disney e agora a possível Paramount-Skydance tentam sobreviver numa batalha que consome bilhões e paciência.

Aqui, a Paramount tenta fazer o óbvio: concentrar forças, desligar o que dá prejuízo e mirar no futuro — mesmo que esse futuro ainda pareça um borrão digital.

A fusão que pode mudar Hollywood

O coração dessa saga, no entanto, pulsa em outro lugar: a fusão com a Skydance Media, liderada por David Ellison — herdeiro de Larry Ellison, o homem que transformou bancos de dados em fortuna. O acordo aprovado pela FCC deixou claro que a Paramount, embora histórica, estava fragilizada. Custos, dívidas, queda de audiência… tudo empurrou a companhia para os braços de um comprador com mais disposição do que nostalgia.

Ellison promete tecnologia, capital, reorganização. Na prática, isso significa cortes de empregos (já prometidos e aplicados), reviravolta administrativa e uma visão mais agressiva para o futuro. E é dessa agressividade que nasce a bomba do momento: a intenção declarada — e reiterada — de comprar simplesmente a Warner Bros. Discovery. Sim, aquela Warner com a HBO, CNN, TNT, DC Comics, Warner Bros. Pictures… e uma dívida monumental.

A equação é ambiciosa: somar um conglomerado de US$ 17,9 bilhões (Paramount) a outro de cerca de US$ 40 bilhões (WBD), com financiamento da família Ellison. Um casamento improvável, mas tentador. Se der certo, cria-se uma potência capaz de competir em publicidade, conteúdo e streaming em escala global — algo que as big techs adorariam destruir, mas talvez tenham dificuldade.

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O analista Brian Wieser já avisou: essa turbinada corporativa criaria a maior empresa de publicidade televisiva dos EUA, com cerca de 20% do mercado. No mundo, fora a China, seria a sexta maior. Para quem está morrendo afogado no oceano digital, isso significa boias, jet skis e talvez até um navio.

Mas há problemas. O primeiro: dinheiro. A fortuna de Larry Ellison caiu recentemente, abrindo dúvidas sobre a capacidade de sustentar uma oferta de US$ 56 bilhões pela WBD. O segundo: política. Fusão desse porte passa por crivos regulatórios — e a proximidade de Ellison com Trump pode facilitar ou atrapalhar, dependendo da dança de interesses em Washington. O terceiro: Zaslav, CEO da WBD, que só vende se o preço agradar, e, se nada der certo, cogita fatiar a empresa a partir de 2026.

Enquanto isso, as plataformas expõem suas armas. Netflix lança a última temporada de Stranger Things. A Universal (da Comcast) joga Wicked: Parte 2 no cinema. A Disney traz Avatar: Fogo e Cinzas. É a guerra dos trilhões, onde quem perde audiência perde futuro — e quem perde futuro vira relicário.

A Paramount tenta fazer o óbvio: concentrar forças e desligar o que dá prejuízo (Foto: Wiki)
A Paramount tenta fazer o óbvio: concentrar forças e desligar o que dá prejuízo (Foto: Wiki)

E a Paramount?

A Paramount está tentando evitar virar relicário. Encerra seus canais lineares porque sabe que o cabo e o satélite caminham para o museu. Aposta na Pluto TV porque o modelo FAST cresce feito mato. Investe no Paramount+ porque precisa de uma assinatura para chamar de sua. E tenta comprar a Warner porque, ironicamente, só os gigantes conseguem sobreviver ao gigantismo do mercado.

No fim das contas, o que acontecerá com a Paramount?

A resposta é simples e cruel: ou ela se torna maior, ou deixa de importar. Em Hollywood, o meio-termo já não existe.


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