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Vaticano, Maduro, Doutrina Monroe…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

PL de São Paulo corteja Sikêra Jr.: quando a democracia decide flertar com o grotesco televisivo e chama isso de representatividade nacional

O Brasil tem uma queda irresistível por transformar meme em cargo público. E o PL, sempre atento às demandas da História — ou da deep web — decidiu que o próximo passo civilizatório é convidar Sikêra Jr., apresentador com energia de programa de auditório de 1998 e retórica de comício de boteco, para disputar a Câmara dos Deputados em 2026. Nada como reciclar celebridades de baixa durabilidade para cargos de longa influência. O sujeito ganhou fama nacional gritando contra “bandidos” e venerando Bolsonaro com o entusiasmo de mascote eleitoral. Em São Paulo, sua passagem televisiva foi tão meteórica quanto o orçamento de campanha de vereador de interior: poucas horas, muita vergonha, zero audiência. Mas isso, claro, apenas aumenta seu charme para quem acha que o parlamento se beneficia com gente que não sabe o que é regimento interno, mas domina a arte de gritar “canalha” por trinta minutos. O União Brasil também quer, e pior: cogita lançá-lo ao governo do Amazonas, porque no Brasil governar um estado amazônico exige menos preparo técnico do que apresentar um programa de polícia sem processar o fígado. O país segue apostando no entretenimento como política pública e na raiva como estratégia eleitoral. Nada mais democrático do que transformar o pior da televisão em política representativa. Afinal, vale tudo — inclusive apostar que o eleitor confunde carisma com ruído.

Racionais relançam Sobrevivendo no Inferno: quando a periferia vira objeto de luxo e nostalgia vira marketing premium

O Brasil cultural fez o que faz de melhor: transformar um símbolo de denúncia social em produto colecionável para adultos nostálgicos com cartão Black. O relançamento em vinil de Sobrevivendo no Inferno, anunciado pelos Racionais MC’s, traz a promessa de eternizar o álbum que moldou consciências, pavimentou o rap nacional e ainda rendeu 1,5 milhão de cópias quando ninguém tinha Spotify ou paciência para ouvir 30 segundos e pular. A nova versão chega como obra de arte, com capa empastada brilhante, livreto de 50 páginas e pôster dourado — porque nada representa melhor a experiência da periferia do que metalizado reluzente para sala de estar gourmet. O box limitado, com cruz metálica e tudo mais, já esgotou, porque o Brasil ama comprar relíquias da pobreza enquanto evita conviver com ela ao vivo. A estética é religiosa e monumental: como se Mano Brown surgisse não mais como cronista da tragédia urbana, mas como santo padroeiro do “vinil especial de conteúdo crítico e acabamento premium”. Mas, embora a mercantilização cause risos, há potência nisso: cada cópia é testemunho de que o rap venceu a elite cultural, venceu o preconceito, venceu o mercado e hoje cobra caro por isso. A burguesia musical, antes horrorizada, agora coleciona. E a periferia, que antes só sobrevivia, agora lucra.

Vaticano libera elogio ao prazer, contanto que ele não pareça moderno, eficiente ou livre de consequências

O Vaticano acordou iluminado e decidiu dizer ao mundo que, surpresa, sexo no casamento não serve apenas para produzir crianças. Pode fortalecer vínculos, promover afeto e, veja só, dar prazer — desde que o prazer venha escoltado por amor, responsabilidade e cara de quem está oferecendo sacrifício ao criador. O texto reconhece que o ato sexual pode existir sem a intenção de procriar, e que casais inférteis não estão condenados ao purgatório da castidade, o que, em termos institucionais, é quase revolução. Há até a sugestão de “aproveitar períodos naturais de infertilidade”, algo que une Bíblia, calendário e biometria afetiva. Mas, claro, a festança termina onde a tecnologia começa: contraceptivos artificiais seguem cancelados, porque controlar a fertilidade com ciência é pecado, mas com método natural — falho, caótico e calculado na base do “tomara que dê certo” — é virtude. Fora do casamento, então, nem pensar: sexo só serve se casado, monogâmico e heterossexual. No fim, o texto acena ao prazer com cautela, como quem oferece vinho diluído: sim, pode ser bom, mas cuidado para não gostar demais.

O Vaticano acordou iluminado e decidiu dizer ao mundo uma obviedade (Foto: Arquivo)
O Vaticano acordou iluminado e decidiu dizer ao mundo uma obviedade (Foto: Arquivo)

Maduro convoca o Brasil às ruas: o populismo bolivariano descobre o marketing digital de protestos terceirizados

Nicolás Maduro, mestre do portunhol afetivo e da geopolítica à base de meme, pediu ao “povo do Brasil” que vá às ruas defender a Venezuela e celebrar “a unidade dos povos”. É quase comovente: um ditador perseguido querendo que o brasileiro resolva seu B.O. continental enquanto enfrenta o boletim próprio. O discurso veio após ele agradecer ao MST por apoio — e ganhar um boné, porque diplomacia latino-americana hoje funciona como brinde de feira agropecuária. Maduro falou como profeta: “A vitória nos pertence”, “que viva o Brasil”, “às ruas pela soberania” — frases que teriam mais impacto se o país não estivesse lutando para sobreviver à própria hiperinflação. O clamor ocorre enquanto os EUA intensificam operações militares no Caribe, com Trump declarando “guerra às drogas” e bombardeando embarcações como quem limpa sala jogando água sanitária no sofá. A Casa Branca chama Maduro de líder do “Cartel de Los Soles” — ele nega com veemência teatral. Mas, no fim, o pedido resume a tragédia: o regime está tão isolado que busca torcida organizada fora de casa. E escolheu o Brasil, país que mal consegue mobilizar seus próprios partidários, quanto mais os dos vizinhos.

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Roosevelt e o Corolário da Doutrina Monroe: quando o imperialismo recebe nome pomposo e passa por altruísmo civilizatório

Em 6 de dezembro de 1904, Theodore Roosevelt resolveu anunciar ao planeta que os Estados Unidos não iam apenas “proteger” as Américas da Europa — iam mandar nelas com exclusividade. Chamou isso de “corolário”, porque “declaração de tutela imperial cínica” soaria menos elegante nos jornais. Tudo começou após a Crise na Venezuela de 1902–1903, quando as potências europeias cercaram o país por dívida — e Roosevelt decidiu que, dali para frente, era Washington quem decidia quem podia invadir quem. O Ocidente aplaudiu, a América Latina fingiu gratidão e o século XX virou o playground geopolítico da hegemonia estadunidense. O corolário foi vendido como defesa da soberania continental, mas funcionava como licença diplomática para intervir militarmente sempre que o “mundo civilizado” julgasse necessário — definição, aliás, ajustada conforme o humor do executivo norte-americano. Hoje, enquanto a Venezuela continua em crise e os EUA continuam distribuindo democracia com porta-aviões, a ironia histórica dá cambalhotas: 120 anos depois, ainda chamam imperialismo de “estabilidade hemisférica”. Uma tradição que envelheceu pior que charuto esquecido no bolso de general.

Fifa cria prêmio da paz para dar a Trump: quando a diplomacia vira fanfic institucional e o futebol entra no multiverso do absurdo

Durante o sorteio da Copa de 2026, a Fifa decidiu inaugurar um prêmio para “ações excepcionais pela paz” — e entregá-lo, logo de estreia, a Donald Trump. Gianni Infantino, sorrindo como quem anuncia o Nobel de Tóquio para um rinoceronte, declarou que o presidente “tornou o mundo mais próspero”. Trump, com modéstia celestial, afirmou que salvou “milhões e milhões de vidas”. Tudo isso no contexto em que ele faz lobby pelo Nobel da Paz e critica o comitê por ter premiado María Corina Machado — ironia diplomática com gosto de reality show. A premiação ocorre enquanto Trump e Infantino vivem lua-de-mel política, tornando o futebol ferramenta de relações públicas e a paz, item colecionável em cerimônia esportiva. A Copa terá 104 jogos, recorde histórico — e, ao que parece, recorde de marketing político também. Infantino aparece na Casa Branca com a frequência de assessor de imprensa, e Trump agradece como padrinho de casamento. O troféu parece um símbolo de época: a Fifa, instituição célebre por escândalos, distribui medalha da paz a presidente acusado de fomentar guerra cultural, diplomática e digital. O mundo esportivo não muda a realidade — apenas a rotula com troféu brilhante.

PL de São Paulo corteja Sikêra Jr.

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Vaticano libera elogio ao prazer, contanto que ele não pareça moderno

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