Charlie Kirk, Mercosul, F-35…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Telebras, contratos milionários, autonomia de araque e o sonho eterno de ser privada sem deixar de mamar nas tetas públicas: uma parábola sobre independência financeira que só existe na narrativa oficial
A Telebras insiste em posar de adolescente rebelde que saiu de casa, mas ainda pede o cartão de crédito dos pais. Assinou o famoso contrato de “autonomia financeira” — uma peça mais teatral do que contábil. Não recebe repasses diretos do Tesouro? Verdade. Mas seus clientes ainda são estatais, ministérios e autarquias, ou seja, o mesmo dinheiro público passando por outros CNPJs. São R$ 153 milhões do Ministério do Trabalho, R$ 84 milhões do DNIT e mais de R$ 500 milhões prometidos em cinco anos pelo Ministério das Comunicações. A receita anual gira em torno de R$ 400 milhões, mas a estatal precisa dobrar isso até 2030 para sobreviver sem transfusão direta de Brasília. Nos últimos cinco anos, só subiu 50% – parece dieta de promessa de réveillon. A Telebras ainda vende autonomia como quem vende perfume importado na rodoviária: cheio de glamour no rótulo, mas essência de spray barato.

Eduardo Bolsonaro, F-35, navios de guerra, escravidão voluntária e a eterna busca por protagonismo internacional de quem virou influencer do apocalipse em solo americano
De um deputado federal autoexilado nos EUA, espera-se hambúrguer, foto com armas e discurso contra o “globalismo”. Mas Eduardo Bolsonaro decidiu inovar: agora quer intervenção militar americana no Brasil, caças F-35 sobrevoando Brasília e marines desembarcando em Copacabana. Tudo porque o papai foi condenado a 27 anos de prisão. Perguntou, teatral: “Você aceitaria ser escravo para evitar uma guerra? Eu prefiro a guerra!”. A retórica parece saídas de uma convenção de cosplay de Rambo com Carl Sagan. Fala em “luta armada para defender a democracia” enquanto mora num país que tipifica terrorismo doméstico e prende gente por menos. Um “louco insano”, como diria a plateia popular, mas que ainda encontra eco em grupos digitais que acham que política é videogame e diplomacia é live de streaming. Se isso não é tragicômico, não sabemos mais o que é.
Bob Vylan, punk/rap, insultos póstumos e a transformação da morte em espetáculo: a necropolítica do entretenimento chegando ao palco europeu com sotaque inglês
O duo inglês Bob Vylan — Bobby na guitarra, Bobbie na bateria — virou trending topic por supostamente “comemorar” a morte do ativista conservador Charlie Kirk. Em show na Holanda, dedicaram música a “um ser humano absolutamente de m#rda” e ironizaram seus pronomes no passado. “Descanse na urina, seu m#rda”, ecoou no Club Paradiso de Amsterdã, segundo vídeos compartilhados online. O episódio escancara uma nova fronteira do espetáculo político: até o óbito do adversário vira merchandising. Punk/rap que já foi denúncia social agora flerta com stand-up necropolítico. Em vez de catarse coletiva, transformaram o palco num tribunal sumário sem direito a defesa. Há quem ache libertador, há quem veja degeneração moral do entretenimento. De um jeito ou de outro, é mais uma prova de que a indústria cultural não perde a chance de transformar rancor em lucro.
Constituição americana, 1787, 17 de setembro, filhote iluminista que virou fetiche constitucional: um documento velho com maquiagem nova a cada crise nacional
Em 17 de setembro de 1787, a Convenção da Filadélfia assinava a Constituição dos Estados Unidos, esse evangelho laico do Ocidente. Mais de dois séculos depois, ela é tratada como tábua de salvação para cada crise política americana — de Nixon a Trump, passando por guerras, recessões e polarizações. O texto, que prometia checks and balances, já foi usado para justificar segregação e depois para derrubá-la; para legitimar guerras externas e também para limitá-las. Hoje, funciona mais como fetiche nacional do que manual prático. A Suprema Corte interpreta e reinterpreta como quem troca de figurino em Broadway, enquanto cidadãos brigam por vírgulas e emendas. No Brasil, onde a Constituição de 1988 é chamada de “Cidadã”, o mito americano serve de espelho, mas também de lembrete: não basta ter uma carta magna venerável, é preciso ter instituições que a façam valer.
Mercosul, EFTA, acordos de livre comércio e o eterno soft power dos comunicados otimistas: quando o multilateralismo vira feitiço para segurar PIB, tarifas e esperança até 2044
O Brasil anunciou com fanfarra o acordo Mercosul-EFTA no Rio de Janeiro. Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — juntos somam 15 milhões de habitantes e PIB de US$ 1,4 trilhão — agora prometem trocar figurinhas com nossos 300 milhões de consumidores latino-americanos. Mauro Vieira chamou de “histórico” e “inovador”; Alckmin disse que celebra “a força do multilateralismo”. O Itamaraty calcula impacto positivo de R$ 2,69 bilhões no PIB brasileiro até 2044. É o tipo de projeção que cabe num power point bonito e rende manchete otimista. O acordo promete verde, sustentável, PME feliz e integração aduaneira suave — quase um spa tarifário. O detalhe é que ainda precisa passar por aprovações, ratificações e resistências internas. Enquanto isso, tarifões americanos, crises europeias e tensões geopolíticas lembram que comércio exterior não é Disneylandia; é xadrez.

Mauro Cid, tornozeleira, passaporte, delação, trânsito em julgado e o teatro processual que transforma sentenças em novela: a justiça como série de streaming sem temporada final
Alexandre de Moraes negou o pedido do tenente-coronel Mauro Cid para retirar tornozeleira, reaver passaporte e bens. Cid foi condenado a dois anos em regime aberto por participar do plano golpista com Bolsonaro, mas já cumpre medidas cautelares desde maio de 2023. A defesa diz que já pagou a pena; o STF diz que só fala disso depois do trânsito em julgado. Enquanto isso, a trama segue: publicação do acórdão, prazos recursais, recursos possíveis — roteiro digno de série da Netflix, com cliffhangers jurídicos. O militar virou personagem simbólico do bolsonarismo desidratado: não é mais mártir, nem herói, nem vilão completo — apenas alguém esperando a burocracia. A delação premiada lhe garantiu pena mais branda, mas não o salvou do desgaste público. No fim, o caso Cid serve de vitrine para mostrar que o relógio da Justiça anda no tempo próprio, bem diferente do cronômetro das redes sociais.
Mangione foi salvo pelo gongo judicial…
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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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