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Do lado de lá com Charles Bukowski

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Charles Bukowski nasceu em 16 de agosto de 1920, na Alemanha, mas foi criado em Los Angeles, nos Estados Unidos. Cresceu em meio à pobreza e à violência doméstica, temas que mais tarde permeariam sua literatura. Trabalhou em empregos medíocres — carteiro, operário, escriturário — e cultivou uma vida marginal, marcada por álcool, prostitutas e bares decadentes. Só começou a ganhar notoriedade como escritor na meia-idade, após ser incentivado por John Martin, fundador da Black Sparrow Press. Seu estilo direto, cru e sem pudores foi revolucionário, misturando lirismo e vulgaridade em doses iguais. Escreveu seis romances, entre eles Cartas na Rua e Mulheres, além de milhares de poemas e contos. É o criador do alter ego Henry Chinaski, uma espécie de anti-herói urbano. Bukowski transformou a degradação cotidiana em poesia brutal e sincera. Era adorado por uns, odiado por outros, mas impossível de ser ignorado. Seus escritos exaltam o fracasso, a solidão e a beleza escondida nos piores lugares. Faleceu em 9 de março de 1994, aos 73 anos, de leucemia. Sua lápide carrega um epitáfio direto, como ele: “Don’t try”.

12 frases marcantes de Charles Bukowski:

“Encontre o que você ama e deixe que isso te mate.”

“Algumas pessoas nunca enlouquecem. Que vidas horríveis elas devem levar.”

“O problema do mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, enquanto as estúpidas estão cheias de certezas.”

“Eu não odeio as pessoas. Só me sinto melhor quando elas não estão por perto.”

“A diferença entre uma vida boa e uma ruim é quanta verdade você consegue encarar.”

Bukowski começou a ganhar notoriedade como autor na meia-idade (Ilustração: Coelho)
Bukowski começou a ganhar notoriedade como autor na meia-idade (Ilustração: Coelho)

“O amor é uma névoa que queima com o primeiro raio de realidade.”

“A solidão é um lugar seguro demais para se sair dele com facilidade.”

“Você começa a salvar o mundo salvando uma pessoa por vez — tudo o resto é grandiosidade romântica ou política.”

“Sou um gênio cercado por idiotas.”

“Se você vai tentar, vá até o fim. Caso contrário, nem comece.”

“Eu queria o mundo ou nada.”

“As pessoas são o maior espetáculo do mundo. E nem cobram ingresso.”

Mensagem do Além

Pergunta psicografada para Charles Bukowski

(Recebida numa madrugada insone, em um quarto mofado no centro de Los Angeles, com cheiro de cerveja velha e silêncio esfarelado. O médium, entre cinzeiros lotados e livros amarelados, ouviu uma tosse rouca seguida do ranger de uma cadeira. No escuro, um vulto acendeu um cigarro imaginário e disse: “Vamos logo com isso, antes que eu desista”. A mensagem veio arranhada, em máquina de escrever invisível.)

Pergunta:

Bukowski, o que você diria aos jovens que vivem no caos digital, entre crises de ansiedade, filtros e metas inalcançáveis?

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Resposta psicografada:

“Diria que o mundo sempre foi uma bagunça. Agora só está mais barulhento. Antes a gente enlouquecia calado, hoje tem Wi-Fi. Vocês vivem num bordel de telas, vendendo versões de si mesmos como se fossem anúncios de motel. Todo mundo se acha especial, mas ninguém aguenta um segundo sozinho. Estão sempre conectados — e miseravelmente sozinhos. Escrevam. Quebrem alguma coisa — uma rotina, um padrão, um coração que mereça. Bebam menos café gourmet e mais da realidade crua. Trabalhem só o necessário. Fodam-se os coaches e os cursos que ensinam a sorrir. A alma não é startup. Não esperem nada grandioso. O amor vem fedendo a cigarro, a poesia mora em banheiro público, e a beleza está na esquina errada às três da manhã. Se forem escrever, não finjam ser Kafka. Se forem amar, não finjam ser santos. A verdade não precisa de filtro. Eu não vim aqui pra confortar ninguém. Só pra lembrar que é possível sobreviver sendo honesto com a própria miséria. E, se ainda tiverem dúvidas, façam como eu: bebam, riam, escrevam — e depois bebam de novo. Porque o mundo, meus caros, é uma piada sem punchline. Mas ainda assim… vale a gargalhada.”

— Bukowski, do além, tossindo poesia e cuspindo sarcasmo entre goles de silêncio.


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