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Do lado de lá com Marcel Duchamp

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Marcel Duchamp (1887–1968) foi um dos artistas mais provocadores e influentes do século XX. Nascido na França, iniciou sua carreira dentro do impressionismo e do cubismo, mas logo rompeu com os estilos tradicionais. Ficou célebre por sua contribuição ao movimento dadaísta e por inaugurar a arte conceitual com os “readymades” — objetos comuns transformados em arte apenas por decisão do artista. O mais icônico deles é Fountain (1917), um mictório assinado com o pseudônimo “R. Mutt”, que desafiou todas as convenções do que poderia ser considerado arte. Duchamp também é autor de Nu Descendo uma Escada nº 2 (1912), que causou escândalo nos EUA ao combinar cubismo com futurismo. Em meados dos anos 1920, abandonou a arte para se dedicar ao xadrez, chegando a competir em torneios internacionais. Sua produção posterior foi discreta, mas surpreendeu com Étant donnés, obra enigmática revelada postumamente. Duchamp viveu parte da vida nos Estados Unidos e influenciou profundamente o surrealismo, o pop e a arte contemporânea. Morreu em 1968, em Neuilly-sur-Seine, deixando um legado que questiona até hoje os limites entre arte e ideia.

12 frases marcantes de Marcel Duchamp:

“A arte é uma miragem.”

“Não acredito na arte. Acredito nos artistas.”

“Tudo pode ser arte, desde que o artista assim o declare.”

“Gostaria de livrar a arte do cheiro de artista.”

“O espectador faz a obra.”

Duchamp foi um dos artistas mais provocadores do século XX (Ilustração: Coelho)
Duchamp foi um dos artistas mais provocadores do século XX (Ilustração: Coelho)

“A pintura morreu com Leonardo.”

“Os readymades são uma forma de negar a habilidade manual.”

“Escolhi viver no limiar entre a arte e a vida.”

“A preguiça é uma das formas mais legítimas da contemplação.”

“O erro é apenas o nome que damos à nossa ignorância.”

“O artista do futuro desaparecerá e deixará apenas a ideia.”

“Não há solução porque não há problema.”

Mensagem do Além

Pergunta psicografada para Marcel Duchamp

(Recebida numa sala silenciosa, fria, com cheiro de giz velho, ferro e papel úmido. Uma bicicleta enferrujada girava sozinha no canto. O médium trajava um avental manchado de tinta que não usava há décadas. Diante de uma pia de louça rachada, uma torneira pingava ritmadamente como se marcasse o tempo da revelação. Sobre uma mesa, uma garrafa vazia de vinho francês repousava ao lado de uma xícara de porcelana quebrada. De súbito, uma sombra atravessou o ambiente como quem não pede licença. Falou sem mover os lábios, com voz que parecia vir da superfície de um espelho embaçado.)

Pergunta:

Duchamp, o que você diria à humanidade de 2025, obcecada por rótulos, autenticidade forçada e arte como investimento?

Resposta psicografada:

“A arte morreu quando começou a buscar aplausos. Vocês a embalsamaram em curadorias e a venderam em fatias para investidores entediados. O readymade virou commodity. A ironia? Acham que são livres porque podem escolher a moldura. Não há mais transgressão, só simulações. Cada exposição é um desfile de vaidades disfarçado de discurso. A assinatura vale mais que o pensamento. O objeto perdeu o mistério. A autoria virou um NFT com valor flutuante e alma nenhuma. O artista agora se comporta — agrada, faz post, se posiciona na hora certa. Arte com estratégia é só marketing com pretensão. Vocês confundiram autenticidade com algoritmo. E confundiram crítica com engajamento. O museu virou cemitério de intenções. A galeria, uma bolsa de valores com parede branca. Mas a arte, de verdade, ainda escapa. Está no erro, no acaso, no silêncio entre duas distrações. Está no objeto que ninguém quis, na frase dita por engano, na ideia que não rendeu like. A arte é o que resiste ao mercado — mesmo que o mercado depois tente comprar. Desistam de entender. Não há sentido. Há experiência. E depois dela, esquecimento. Se querem verdade, olhem para o que não vende. Se querem arte, parem de procurar beleza. Busquem ruído, atrito, dúvida. E, sobretudo, lembrem: o artista que não incomoda é só um decorador com diploma.”

Leia ou ouça também:  Do lado de lá com Monet

— Duchamp, do além, com uma roda de bicicleta girando no nada e um sorriso que não revela intenção.


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