Sua Página
Fullscreen

Do lado de lá com Stanislaw Ponte Preta

Anúncios
Compartilhe este conteúdo com seus amigos. Desde já obrigado!

Stanislaw Ponte Preta foi o pseudônimo irreverente de Sérgio Porto, jornalista, cronista, escritor, compositor e radialista carioca nascido em 1923. Filho da elite letrada do Rio de Janeiro, destacou-se pelo humor ácido e pela crítica social elegante, mas ferina. Começou no rádio e no jornalismo, mas foi nas crônicas que deixou sua marca, combinando ironia com indignação, criando um estilo que atravessou gerações. Sob o nome Stanislaw, publicou as antológicas FEBEAPÁs — Festival de Besteiras que Assola o País — sátiras mordazes da vida política e dos absurdos da sociedade brasileira dos anos 1960. Em pleno regime militar, ousou zombar do autoritarismo e da hipocrisia, escapando da censura com inteligência refinada. Seu humor era sofisticado, mas acessível; erudito, mas popular. Escreveu também roteiros, peças e letras de música, como a famosa “Samba do Crioulo Doido”. Stanislaw foi uma usina criativa até sua morte precoce, vítima de um infarto fulminante em 1968, aos 45 anos. Morreu jovem, mas deixou um legado de lucidez e riso crítico que segue atual. Um cronista do Brasil que nunca saiu de moda.

12 frases marcantes de Stanislaw Ponte Preta:

“Ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos!”

“No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.”

“A mulher que não tem sorte com os homens não sabe a sorte que tem.”

“Cafajeste é o sujeito que faz a barba antes de fugir.”

“A única coisa que levamos desta vida é a vida que a gente leva.”

“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.”

Stanislaw Ponte Preta foi o pseudônimo irreverente de Sérgio Porto (Ilustração: Coelho)
Stanislaw Ponte Preta foi o pseudônimo irreverente de Sérgio Porto (Ilustração: Coelho)

“Há homens que devem à mulher tudo o que são, e outros que devem à mulher tudo o que devem.”

“Muita gente se julga de esquerda só porque é mal resolvida.”

“Quem não lê jornal está desinformado; quem lê está mal informado.”

“Nunca se viu um presidente tão bem cercado: por generais, coronéis, tenentes e suspeitas.”

“O brasileiro é um povo que, quando pode escolher entre dois caminhos, escolhe o pior — porque acha que é mais autêntico.”

“No Brasil, o fundo do poço tem alçapão.”

Mensagem do Além

Pergunta psicografada para Stanislaw Ponte Preta

(Recebida numa madrugada abafada no Largo do Machado, enquanto o velho bondinho dos fantasmas fazia seu último giro da noite. O médium, que cochilava sobre uma pilha de jornais amarelados, foi despertado pelo som inconfundível de uma risada debochada e um leve cheiro de conhaque e máquina de escrever. A resposta apareceu, digitada em tipografia irregular, na última página do Festival de Besteiras que Assola o País, edição fantasma de 2025.)

Pergunta:

Se pudesse voltar ao Brasil de hoje, qual crônica escreveria para este país tão cômico, tão trágico, tão absurdamente familiar?

Leia ou ouça também:  Do lado de lá com Man Ray

Resposta psicografada:

“Escreveria uma crônica sobre um país onde o realismo mágico virou documento oficial. Onde ministros citam versículos e erram a pontuação, e onde os generais aposentados dão entrevista com farda de gala, como se a República fosse um teatro de revista. Descreveria um Congresso onde se legisla com emojis, se debate com memes e se vota com o umbigo. Faria um FEBEAPÁ 5.0: agora com Inteligência Artificial — mas ainda com burrice natural. Diria que o Brasil é o único lugar do mundo onde o atraso pega carona no Wi-Fi e onde a modernidade veste farda, terno ou batina, dependendo da semana. O povo ainda ri — e talvez por isso continue em pé. Rir no Brasil é resistência, é milagre, é vacina contra o desespero. Se me perguntarem se há esperança, digo: há sim — mas ela está disfarçada, vendendo churrasquinho na porta do Enem. A idiotice oficializada continua me fascinando. Talvez porque, mesmo depois de morto, ainda ache graça nesse circo onde a lona vive rasgada, mas o espetáculo nunca acaba. E no final da crônica, assinaria como sempre.”

— Stanislaw, escrevendo do além, onde até os anjos pedem habeas corpus.


Compartilhe este conteúdo com seus amigos. Desde já obrigado!

Facebook Comments

Anúncios
Acessar o conteúdo
Verified by MonsterInsights